5 fatos sobre o mercado Cripto que você precisa saber antes de Maio

5 fatos sobre o mercado Cripto que você precisa saber antes de Maio

Mercado e Tendências
10 de fevereiro de 2020 por André Araújo
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Existe uma grande expectativa no mercado cripto quanto ao evento do halving que acontecerá em maio deste ano, mas como tenho uma opinião um pouco controversa quanto a esse evento, a registrei em um artigo anterior. Mesmo não acreditando no impacto direto do halving no preço do bitcoin e nos demais criptoativos, acho que o
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Existe uma grande expectativa no mercado cripto quanto ao evento do halving que acontecerá em maio deste ano, mas como tenho uma opinião um pouco controversa quanto a esse evento, a registrei em um artigo anterior.

Mesmo não acreditando no impacto direto do halving no preço do bitcoin e nos demais criptoativos, acho que o ano de 2020 pode ser espetacular para o ecossistema tanto na questão de avanços técnicos quanto em preço. Por isso separei o espaço do nosso artigo de hoje para pontuar 5 coisas que considero essenciais para qualquer investidor saber antes de maio, momento no qual acontece o halving.

1 – A insanidade do mercado cripto vai testar seus nervos

Não importa o quão capacitado você seja, ou a quantidade de horas que você tenha acumulado estudando esse mercado, a insanidade dele sempre vai testar seus nervos.

Por exemplo, no ano de 2017, em que uma irracionalidade tomou conta do mercado e projetos apenas com um PowerPoint e um programador conseguiram captar milhões no mercado.

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Mais do que isso, projetos que tinha um pouco mais de preparo, mais programadores, mas sem nada concreto construído, conseguiram captar bilhões do mundo inteiro, já que os ICOs (Initial Coin Offering) não respeitam fronteiras de países.

Além dos ICOs, outra coisa que chamava muito a atenção em 2017 eram os anúncios de anúncios que moviam preço.

Confuso, mas foi isso mesmo!

Bastava um projeto anunciar um anúncio futuro nos seus canais de comunicação, que o preço do token disparava. Projetos como a TRON se aproveitaram disso muito bem e emplacaram grandes saltos naquele ano.

Passada a bolha dos ICOs, a irracionalidade do mercado cripto ainda persiste como uma derivação daquela loucura que foi 2017. Existem pelo menos 640 projetos nesse universo cripto que não publicaram NENHUMA linha de código no ano passado.

Pior que isso, esses projetos juntos têm market cap de cerca de 415 milhões de dólares. Isso fica mais insano ainda, porque o projeto com maior valor de mercado, o Proton Token, não publica uma linha de código desde 2018.

E você tem duas maneiras de olhar isso, o copo meio cheio ou meio vazio. Do meu lado eu não consigo parar de enxergar as inúmeras oportunidades que esse mercado novo e irracional proporciona para os inovadores.

2 – Bitcoin é um experimento que deu certo

Falada por 10 entre 10 detratores, essa frase ganha eco juntamente com as seguintes citações: “Bitcoin não tem lastro,” “Bitcoin é muito lento para ser um meio de pagamento”, “Bitcoin é o dinheiro do crime.” Todos são falados por aqueles que deveriam olhar os dados da rede antes de falar alguma coisa, mas não o fazem para continuar a reafirmar a sua crença.

Bitcoin já deu certo e ainda nem chegou no seu potencial de ser uma reserva de valor mundial e um meio pagamento. A seguir estão alguns números que comprovam a minha tese e que foram levantados por Nic Carter, um dos maiores especialistas quando o assunto é bitcoin.

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  • US$ 1 bilhão foi o total pago em taxas de transação na rede do bitcoin
  • Os mineradores em conjunto coletaram US$14 bilhões em troca de seus serviços para proteger a rede até hoje
  • A base de custo médio de todos os detentores de Bitcoin é de aproximadamente US$ 100 bilhões
  • O valor de mercado de todos os bitcoins pendentes é de aproximadamente US$ 190 bilhões
  • A rede liquidou aproximadamente US$ 2 trilhões em transações

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Uma rede que foi capaz de gerar e circular essa quantidade de dinheiro citada não pode ser considerada um experimento que deu errado. Bitcoin está dando muito certo!

3 – 10% de acerto é satisfatório

Em nenhum negócio que fizer na sua vida terá 100% dos seus clientes satisfeitos. Por isso é normal que tenha alguns críticos ferrenhos conforme for crescendo. E é seu papel escutá-los para saber onde falhou e então não cometer o mesmo erro no futuro.

Nos investimentos temos uma realidade parecida, não existe 100% de acerto em investimentos de risco, muito pelo contrário, você vai mais errar do que acertar.

Como analista de investimento muitas vezes me dói ter recomendado algo que não andou da forma que eu esperava e inclusive fez algumas pessoas perderem dinheiro. Por outro lado, sei que o jogo é assim e por incrível que pareça, acertar em 10% das apostas em um jogo de alto risco e alto retorno ainda faz você sair melhor do que entrou.

Se alguém falar para mim que de cada dez recomendações que dou acerto apenas uma, vou ter que concordar, justamente porque em quantidade esse número está certo.

No entanto, um acerto em dez tentativas pode fazer você acumular 70% de ganho de ano ou mais, por exemplo. Pode parecer mentira, mas a conta é bem simples.

Imagine que você tenha separado para investir em cripto R$1000 e decida apostar R$100 cada. Agora pense que o cenário para 9 delas foi virar zero e para uma delas um cenário brilhante se apresente e ela multiplique por 20 vezes o seu valor. Isso implica que você perde R$900 nas primeiras tentativas e ganha R$1900 com uma delas. Ao final o seu ganho acumulado é de R$1000, o que representa 100% de lucro.

Esse é o poder da convexidade dos investimentos e a natureza assimétrica do investimento em criptoativos.

Por isso, se você fica incomodado com o gosto amargo de errar 9 a cada 10 tentativas, esse mercado não é para você.

4 – Não existe um índice para ser batido em cripto

É natural que quando uma pessoa entre no mundo dos investimentos, ela queira se comparar aos demais investidores e saber se está indo melhor, ou pior que o mercado.

No Brasil, dentro da tradicional indústria financeira, o índice mais usado como referência é o CDI, que representa o ganho do mercado de uma maneira holística. Outro índice que se olha com algum apreço também é o IBOV, que representa o ganho do mercado quando o assunto é bolsa.

Em resumo funciona assim, se você tem uma carteira que inclui investimentos como renda fixa, ações, ouro, dólar, o índice a ser batido é o CDI. Já dentro da sua carteira completa, a alocação em ações constitui sua carteira de bolsa e então ela deve ser comparada com o IBOV.

No mercado cripto nós ainda não temos um índice consagrado como o IBOV ou o CDI, mas existem boas tentativas a serem analisadas. A primeira delas é o BGCI (Bloomberg Galaxy Crypto Index), que tenta representar o mercado, mas falha porque limita a exposição de criptoativos ao teto de 30% do índice.

Em um mundo em que bitcoin representa pelo menos 70% do mercado, ter limite de um terço mata qualquer representação. Outro índice que tenho olhado bastante é o HDAI (Hashdex Digital Assets Index), que foi lançado recentemente e não limita teto de exposição de ativos. No HDAI o bitcoin representa 76% do índice, o que parece mais fiel ao replicar o mercado. Por outro lado, esse ainda é um índice novo e não foi testado no ambiente hostil dos criptoativos por tempo suficiente para ganhar o aval de bom representante do mercado.

Por isso ainda afirmo que não temos um índice claro a ser batido nesse mercado.

5 – Bitcoin não é um benchmark

Complementando o insight acima, muita gente defende e acha que o índice a ser batido é o bitcoin, dado que ele seria o investimento mais trivial de todos e o custo de oportunidade para qualquer investidor, mas eu discordo.

Geralmente quem tem essa ideia de bitcoin como benchmark é o bitcoin maximalista, a figura que acredita que apenas essa cripto vai existir como protocolo com o passar dos anos.

Para essa figura, tudo que não é bitcoin é uma fraude, ou um golpe.

Mesmo assim, esses indivíduos tiveram que conviver com o mercado do jeito que está e com alguns milhares de outros criptoativos.

E com o intuito de provar sua supremacia perante a qualquer outro protocolo, os maximalistas dizem que qualquer portfólio deve minimamente bater o bitcoin e não um índice composto pelos principais ativos do mercado.

Fazendo o esforço de me colocar ao lado maximalista do bitcoin, e pensar como ele, ainda assim vejo que apostar apenas no bitcoin como único protocolo é um risco altíssimo para o bolso.

Vamos pensar que o maximalista esteja certo e o bitcoin seja de fato o único protocolo existente no longo prazo, nessa situação o seu portfólio multiplicou por 300 vezes. Agora imagine que ele esteja errado e bitcoin vire pó, o multiplicador de capital investido é ZERO.

Por outro lado, aquele que decidir apostar em uma cesta de ativos e não em apenas em um, mesmo ganhando um pouco menos que o maximalista se o bitcoin vier a ser o único protocolo viável, se protegeu de melhor forma no caso dessa tese não se concretizar.

Mais do que isso, investir, antes de tudo, é evitar o risco de ruína, de perder tudo em uma única aposta, por isso a visão de que o bitcoin é um benchmark é conflitante com uma premissa de mercado básica.

Por isso acho que mesmo que bitcoin possa parecer óbvio, ou um dos melhores investimentos do ano, ele não deve ser um benchmark adotado e muito menos o único criptoativo a ser investido. Por outro lado, acredito sim que ele deve, hoje, compor boa parte da sua carteira.

Com isso finalizo os 5 fatos sobre o mercado cripto que você precisa saber antes do halving.

Abraço e até a próxima.

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Sobre o Autor:

André Araujo – Engenheiro mecatrônico formado pela USP que adora consumir conteúdos de inovação. Foi para o mercado financeiro por um desejo pessoal de investir melhor seu dinheiro e descobriu o bitcoin nessa jornada. Desde 2015 investe em cripto e em 2017 passou a viver profissionalmente desse nicho de mercado. Hoje é obstinado por procurar as melhores ideias de investimento na criptoeconomia.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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