A atualização (hard fork) do Ethereum de 16 de janeiro de 2019

A atualização (hard fork) do Ethereum de 16 de janeiro de 2019

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14 de janeiro de 2019 por XDEX
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Na próxima quarta-feira, dia 16 de janeiro de 2019, a rede do Ethereum efetuará uma atualização batizada de “Constantinople” através de um hard fork. Mais precisamente, o upgrade ocorrerá a partir do bloco 7.080.000 (a contagem regressiva para o bloco e a data e horário estimados podem ser conferidos aqui). Mas o que é uma
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Na próxima quarta-feira, dia 16 de janeiro de 2019, a rede do Ethereum efetuará uma atualização batizada de “Constantinople” através de um hard fork. Mais precisamente, o upgrade ocorrerá a partir do bloco 7.080.000 (a contagem regressiva para o bloco e a data e horário estimados podem ser conferidos aqui).

Mas o que é uma atualização da rede? O que isso significa na prática?

Se você é um mero usuário do Ethereum ou detém alguns ethers e para isso utiliza uma bolsa (exchange) ou uma carteira (wallet, em mobile ou em hardware), não é necessário fazer nada, a não ser que o provedor de serviço solicite que você adote alguma medida.

Aos clientes da XDEX, leia aqui como isso pode afetar o uso da plataforma.

Àqueles que são nós da rede ou aos mineradores, a atualização é absolutamente necessária. Deve-se baixar a nova versão do software para que a partir do bloco 7.080.000 todas as mudanças sejam ativadas.

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Quais mudanças ou melhorias são essas?

Há basicamente cinco melhorias ou EIPs (Ethereum Improvement Proposal, Proposta de Melhoria do Ethereum) nesta atualização:

EIP 145 – Bitwise shifting instructions in EVM: adiciona novas funcionalidades para tornar mais fácil e barata a execução de algumas aplicações

EIP 1014 – Skinny CREATE2: permite a interação com endereços que ainda não foram criados na rede.

EIP 1052 – EXTCODEHASH opcode: esta melhoria diminui o consumo de gás em algumas aplicações, tornando-as mais baratas.

EIP 1283 – Net gas metering for SSTORE without dirty maps: esta melhoria também objetiva diminuir o consumo de gás em algumas aplicações.

EIP 1234 – Constantinople Difficulty Bomb Delay and Block Reward Adjustment: esta alteração posterga a ativação da “bomba de dificuldade” (difficulty bomb) que faz parte da transição do algoritmo de Prova de Trabalho (Proof of Work) para Prova de Participação (Proof of Stake) na mineração do Ethereum.

Para maiores detalhes, recomendo a leitura deste blog da fundação do Ethereum e este post do MyCrypto.

Esta atualização significa que teremos uma nova criptomoeda?

Não, uma nova criptomoeda não será criada por causa dessa atualização. Quem detiver ethers (ETH) antes da atualização, seguirá tendo os mesmos ethers após a atualização.

Contudo, por ser um hard fork (veja logo mais abaixo), muitas pessoas têm o receio de que a atualização Constantinople venha a resultar em duas criptomoedas. Na verdade, isso não está previsto porque esse hard fork está no roadmap de desenvolvimento do Ethereum há anos, é conhecido por todos, e, portanto, é uma atualização “não contenciosa”.

“Não contenciosa” significa que a necessidade e os méritos da atualização gozam de amplo consenso entre toda a comunidade (desenvolvedores, usuários, mineradores, aplicações, exchanges, wallets). Sem dúvida que esse “consenso” pré atualização é medido empiricamente. Ainda carecemos de ferramentas mais precisas para mensurar o consenso diante de mudanças ou atualizações da rede.

O fato é que o consenso é demonstrado a todo instante, a medida que novos blocos são adicionados ao blockchain (este é o consenso sobre o estado de transações) e a medida que novas versões do software são adotadas pelos nós e mineradores (este é o consenso sobre as regras do protocolo).

Uma atualização através de um hard fork quer dizer que as novas regras são incompatíveis com as antigas. Isso significa que a partir do bloco 7.080.000, no caso deste upgrade do Ethereum, quem não estiver minerando com a versão do software do Constantinople, acabará estendendo um blockchain divergente daquele dos demais mineradores. Quando isso acontece, temos um “chain split” (uma divisão do blockchain) e dois blockchains passam a ser minerados. Efetivamente, temos duas moedas.

Isso foi justamente o que aconteceu com o Ethereum na época do famigerado DAO (Distributed Autonomous Organization) em meados de 2016. Como consequência de um hack no contrato do DAO, os desenvolvedores do Ethereum e uma parcela relevante da comunidade — cuja medição na prática é bastante questionável, conforme comentado acima — decidiram por executar um hard fork para neutralizar o ataque.

Sucederam-se debates infindáveis sobre a ética e os méritos do hard fork, questionando desde a real necessidade até os princípios de “imutabilidade” do blockchain. Claramente, esse hard fork seria contencioso. E o foi. Concluído o hard fork, uma minoria tomou a decisão de não seguir a alteração de software e continuar minerando o Ethereum com as regras antigas, estendendo o blockchain original. Nascia aí o “Ethereum Classic”.

Felizmente, nesta rodada de atualização chamada Constantinople, nenhum cenário como o ocorrido à época do DAO é antecipado.

O roadmap do Ethereum

O criadores do Ethereum planejaram detalhadamente o desenvolvimento do protocolo, estabelecendo a evolução do sistema em quatro fases (ou “releases”) distintas:

  1. Frontier (julho de 2015): a primeira versão live da rede.
  2. Homestead (março de 2016): primeira versão considerada de “produção”.
  3. Metropolis (outubro de 2017): separada em duas versões, Byzantium (outubro de 2017) e Constantinople, a ser implementada agora em janeiro de 2019.
  4. Serenity (sem data): a última fase do protocolo prevê a migração para o “Proof of Stake”.

A tecnologia criada pelo Bitcoin em 2009 introduziu novos conceitos e problemas, dentre eles o de como manter e atualizar redes de consenso distribuído. Nesta nova ciência, há muita experimentação e o “certo ou errado” nem sempre é discernível. Enquanto o Bitcoin evolui de maneira mais anárquica e sem um roadmap claro, o Ethereum adotou um modelo de governança distinto, com roadmaps e visões de futuro bastante definidas ex ante.

Fernando Ulrich,
Analista-Chefe da XDEX.
www.xdex.com.br

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