Banco Central Europeu (BCE) – Estamos de olho…

Banco Central Europeu (BCE) – Estamos de olho…

Mercado e Tendências
23 de dezembro de 2019 por Thiago Nakashima
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Na última sexta-feira 13 do ano o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Luis de Guindos fez um discurso endereçando as inovações financeiras e seu potencial de fomentar o crescimento inclusivo. Apesar de um ligeiro otimismo quanto às mudanças já sentidas pela sociedade, o tom do discurso segue longe de ser entusiasta. Guindos afirma que
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Na última sexta-feira 13 do ano o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Luis de Guindos fez um discurso endereçando as inovações financeiras e seu potencial de fomentar o crescimento inclusivo. Apesar de um ligeiro otimismo quanto às mudanças já sentidas pela sociedade, o tom do discurso segue longe de ser entusiasta.

Guindos afirma que as transformações oriundas das inovações financeiras são visíveis, citando os novos meios de pagamentos e seus impactos nas preferências do consumidor como as tecnologias P2P e QR para pagamentos via smartphone. Mas é direto quanto ao alcance dessas inovações:

“Embora esteja convencido de que o progresso tecnológico precise ser promovido e não impedido, não posso deixar de notar que seus benefícios não atingiram todos os cantos de nossas sociedades – em particular populações desprotegidas e grupos vulneráveis, para os quais a inovação financeira ainda não fez diferença.”

Luis de Guindos também falou sobre as stablecoins (como a Libra) sob um tom crítico. Afirmou que apesar do nome esses ativos não são estáveis, pois são lastreados em moeda flutantes. E com isso “fica claro que as stablecoins posam como um risco para os consumidores e o sistema financeiro”. Dessarte a autoridade acha natural que haja uma forte regulação sobre os ativos como as stablecoins.

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Uma preocupação constante de qualquer banco central concerne à saúde do sistema financeiro, ou seja, a saúde dos bancos. O BCE não é diferente e tem alertado sobre como o sistema financeiro tradicional deve estar atento ao crescimento das fintechs, citando o saldo de dez vezes no crédito concedido por fintechs americanas entre 2014 e 2017 ao superar USD 500 bilhões.

Por fim Luis de Guindos traz algumas iniciativas do BCE no tema de inovação financeira:

  • Investimentos em infraestrutura de pagamentos instantâneos: desde 2014 o BCE tem fomentado o desenvolvimento de um framework para pagamentos instantâneos. Em 2018 o banco lançou o TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), que permite transferências rápidas (questão de segundos) entre firmas e pessoas mesmo que os bancos comerciais participantes não estejam em horário de funcionamento.
  • Projeto Stella: feito conjunto com o Banco Central do Japão o projeto estuda a utilização da DLT na infraestrutura do mercado financeiro assim como a adoção de uma moeda digital de banco central. A Fase 3 do projeto (concluída em junho de 2019) analisou o white paper “A Protocol for Interledger Payment”, que apresenta um protocolo de pagamentos entre fronteiras sem a necessidade de uma coordenação global ou blockchain. O BCE concluiu que “a segurança dos pagamentos entre fronteiras de hoje pode ser aprimorada usando métodos de pagamento que sincronizam pagamentos e bloqueiam garantias ao longo da cadeia de pagamentos”.
  • Revisão dos frameworks para instruções de pagamentos: O BCE está se preparando para colocar em prática projetos inovadores, como arranjos que incluam stablecoins.

 

THOMAS, S.; SCHWARTZ, E. A Protocol for Interledger Payments. Disponível em: https://interledger.org/interledger.pdf

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

Sobre o Autor:

Thiago Nakashima – Economista formado pela PUC-SP, nascido em 1980, especializado em análise macroeconômica com grande experiência em fundos de investimentos multimercado e consultorias econômicas especializadas em aspectos regulatórios de defesa da concorrência. Seu enfoque acadêmico voltado para inovações Schumpeterianas e economia comportamental é fruto de suas raízes na engenharia (passagem pela POLI/USP) e na produção cultural (produtor de música eletrônica).

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