Bitcoin a 50 mil dólares em 2020?

Bitcoin a 50 mil dólares em 2020?

Mercado e Tendências
9 de janeiro de 2020 por André Araújo
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Muito próximo do final do ano, ou você está pensando nas suas festas, ou já está planejando o ano de 2020. No meu caso, a ansiedade fez com que eu já me planejasse para o ano que começa dentro de alguns dias. Por isso quero falar hoje sobre um ano muito importante para o universo
Banner sobre o bitcoin valendo 50 mil em 2020

Muito próximo do final do ano, ou você está pensando nas suas festas, ou já está planejando o ano de 2020. No meu caso, a ansiedade fez com que eu já me planejasse para o ano que começa dentro de alguns dias.

Por isso quero falar hoje sobre um ano muito importante para o universo dos criptoativos. Em 2020 acontece uma atualização no protocolo do bitcoin que causa um choque de oferta e faz com que sua produção desse ativo caia pela metade.

Desde que bitcoin foi proposto por Satoshi Nakamoto esse evento tem sido muito comentado pela comunidade e também propagado como responsável pelo aumento do preço do bitcoin.

Mesmo assim, quero deixar todos os leitores na mesma página, por isso vale recapitular o que é exatamente esse evento conhecido como halving. Esse nome se traduzido ao pé significa “reduzir pela metade” e diz respeito a recompensa em bitcoin que é destinada aos mineradores.

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Falando rapidamente sobre, a aproximadamente cada 10 minutos um bloco de bitcoin é minerado e hoje 12,5 bitcoins são pagos ao minerador que minerou o bloco. No entanto, essa recompensa já foi de 50 bitcoins antes de 2012, de 25 até 2016 e será de apenas 6,25 depois de maio de 2020.

É exatamente sobre esse choque de oferta que se pauta toda a expectativa para o ano de 2020, tanto antes quanto depois de maio, quando acontecerá a mudança na recompensa paga ao minerador. Consequentemente previsões de que o bitcoin pode alcançar valores entre 20 mil e 50 mil dólares começam a pipocar no mercado pautadas apenas na projeção do que aconteceu depois dos primeiros dois halvings.

No gráfico abaixo as linhas verdes representam os momentos do halving e a linha azul é o preço do bitcoin ao longo dos anos.

 

halving 1 - Bitcoin a 50 mil dólares em 2020?
Fonte: TradingView

 

Como você pode constatar visualmente, um pouco antes das linhas verdes (halving) o preço do bitcoin sobe um pouco e logo após acelera esse movimento.

Agora vamos ver o mesmo gráfico do preço do bitcoin, mas com outro evento mais conhecido, que acontece no mundo, as olimpíadas.

 

halving 2 - Bitcoin a 50 mil dólares em 2020?
Fonte: TradingView

 

Perceba que o comportamento não mudou e continuamos a ver o bitcoin subindo de preço até a cerimônia de abertura das olimpíadas e a acelerando esse processo daí em diante.

Na verdade, a ideia de falar das olímpiadas é simplesmente mostrar para todos que se escolher bem os eventos que decidir traçar no gráfico do bitcoin, pode encaixar a mesma narrativa que existem em torno da defesa de que o halving faz o preço do bitcoin subir.

Óbvio que as olimpíadas têm pouca em nenhuma relação de causalidade com o que acontece no preço no bitcoin se comparamos com o halving. Por outro lado, analisando apenas pelo viés estatístico, o próprio halving não oferece amostragem suficiente para tirarmos a conclusões do que acontecerá no ano que vem apenas analisado duas amostras passadas.

Além disso, sendo bem pragmático com o que vai acontecer depois de maio de 2020, algo em torno de 900 bitcoins irão ser diariamente retirados de circulação. Se hoje 1800 bitcoins são criados e absorvidos pelo mercado, após o halving essa criação cai pela metade.

Falando de valores em dólares, aos preços atuais do bitcoin, estamos falando de US$ 6,4 milhões aproximadamente que serão retirados de negociação. Unindo isso ao fato de que o volume reportado pelas exchanges no mundo todo chega próximo de US$ 4 bilhões, não é plausível esperar que a retirada de liquidez na casa de milhões afete muito uma curva de oferta e demanda.

Ainda que trouxemos uma análise mais conservadora quanto ao possível choque na curva de oferta de demanda e apenas usássemos o volume das 10 principais exchanges do mundo que foram avaliadas pelas Bitwise, temos um volume real reportado de US$ 215 milhões.

Dessa forma, a retirada de US$ 6,4 milhões representa aproximadamente 3% de todo o volume negociado nessas exchanges, o que também não deveria afetar a curva de oferta e demanda.

Conclusão

Como você pôde perceber, sou bastante cético quanto a narrativa de que o halving do bitcoin sozinho trará aumento nos preços. Não existe nenhuma análise que possa ser feita do ponto de vista estatístico para comprovar a tese do aumento do preço ou desmenti-la, simplesmente porque não existe amostragem suficiente.

No entanto não sou uma ponta vendedora desse ativo, pelo contrário, acho que esquecendo a narrativa do halving, o ano de 2020 ainda deve ser bem promissor para o bitcoin e para os criptoativos em geral.

Talvez não seja o choque de oferta de bitcoin que acontece a cada 4 anos que faça com que o preço suba, mas simplesmente a maturidade do ecossistema como um todo. Basta fazer uma pequena retrospectiva para perceber que tenho razão.

Antes do primeiro halving (2012) bitcoin era um ativo conhecido apenas por nerds e entusiastas, não existiam grandes plataformas de negociação desse ativo e a Mt.Gox era a principal exchange do mercado.

Entre o primeiro e o segundo halving a Mt.Gox faliu e junto causou um dos primeiros crashes mais conhecidos do bitcoin, mas antes já havia chamado a atenção de muita gente pela subida de preço exponencial até os US$ 1000.

Após o primeiro halving, um mês depois, a Coinbase foi criada e se consolidou como a principal exchange do mercado até 2016, quando aconteceu o segundo halving.

Só apenas depois do segundo halving é que bancos, governos e outras grandes instituições começaram a assumir publicamente o conhecimento de que bitcoin existia e passaram a endereçar esforços para se aproveitarem da criptoeconomia.

Esse curto retrospecto mostra que na verdade o halving em si pouco tem a ver com o aumento dos preços do bitcoin. Na verdade, a evolução do mercado é o fator preponderante para termos chegados até aqui e ainda estarmos só no início.

Por isso, a dica a prática para o ano de 2020 e não deixar de se expor a essa classe de ativos que teve o bitcoin como o melhor investimento da década.

E você, concorda com o que apresentei até aqui? Se tiver uma opinião diferente, eu adoraria saber. Entra em contato comigo pelo Instagram e me diz o que achou do artigo de hoje. Adoro receber feedbacks.

Abraço e até a próxima.

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Sobre o Autor:

André Araujo – Engenheiro mecatrônico formado pela USP que adora consumir conteúdos de inovação. Foi para o mercado financeiro por um desejo pessoal de investir melhor seu dinheiro e descobriu o bitcoin nessa jornada. Desde 2015 investe em cripto e em 2017 passou a viver profissionalmente desse nicho de mercado. Hoje é obstinado por procurar as melhores ideias de investimento na criptoeconomia.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

 

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