Bitcoin como alternativa às incertezas do mercado

Bitcoin como alternativa às incertezas do mercado

Mercado e Tendências
28 de agosto de 2019 por Safiri Felix
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As últimas semanas foram de forte turbulência nos mercados ao redor do mundo e o clima de apreensão voltou a dominar não só entre os operadores financeiros, mas também nas conversas de dia a dia. O acúmulo de tensões políticas e os variados sinais de desaceleração econômica coloca cada vez mais em dúvida o futuro
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As últimas semanas foram de forte turbulência nos mercados ao redor do mundo e o clima de apreensão voltou a dominar não só entre os operadores financeiros, mas também nas conversas de dia a dia.

O acúmulo de tensões políticas e os variados sinais de desaceleração econômica coloca cada vez mais em dúvida o futuro das cotações dos principais ativos financeiros.

Sucessivos capítulos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, revolta popular em Hong Kong contra as medidas autoritárias do governo chinês, desaceleração do motor da economia européia com a perda de folego da produção industrial alemã formam os grandes vetores de preocupação.

Com impacto ainda direto sobre o Brasil, o resultado das primárias argentinas apontando larga vantagem da candidatura de viés populista, formam um quadro desafiador para os alocadores profissionais de recursos e ainda mais desafiador para o pequeno investidor, que perdeu recentemente o conforto da renda fixa com o movimento de corte das taxas de juros brasileiras.

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Para completar o cenário pouco animador, temos o sinal alarmante da inversão da curva de juros nos Estados Unidos, fator que historicamente aponta para uma alta probabilidade de recessão na principal economia do mundo.

Outro grande fator de preocupação tem sido os limites dos estímulos monetários e desconfiança da capacidade de coordenação dos banqueiros financeiros e nos instrumentos utilizados desde a crise financeira de 2008 para intervenção no ciclo econômico.

Em meio a isso, a busca por ativos de proteção e dispositivos de hedge cresce proporcionalmente ao acúmulo de riscos sistêmicos, apontando para uma valorização de ativos considerados boas reserva de valor.

O ouro segue sendo o carro chefe dentro os ativos clássicos de proteção, mas gradativamente o bitcoin passa a ganhar força como uma alternativa interessante de diversificação e proteção de portfólio.

Negociando novamente acima da barreira psicológica dos 10 mil dólares, o principal ativo digital vem angariando adeptos por ter uma baixa correlação com os instrumentos financeiros, respeitando uma dinâmica própria e com uma contínua melhora dos fundamentos.

Não param de surgir novos instrumentos de investimento baseados em bitcoin voltados para investidores institucionais e os volumes nas corretoras especializadas voltaram a se recuperar do baque de um 2018 extremamente desafiador.

Brian Armstrong, fundador e CEO do Coinbase, uma das principais corretoras especializadas em criptoativos, publicou em sua conta no Twitter que tem recebido um fluxo semanal entre 200 e 400 milhões dólares proveniente de clientes institucionais.

O mercado asiático segue concentrando parte significativa dos volumes de negociação, sendo Hong Kong o principal centro financeiro da região e sede de muitas corretoras de ativos digitais. A busca por proteção por parte de chineses de alta renda que habitam a cidade, tem propagado um crescimento na demanda por ativos como o bitcoin.

Em momentos anteriores de incerteza, observamos ciclos de alta em períodos onde as tensões geopolíticas se intensificaram: crise grega em 2015, votação do Brexit em 2016 e choques de desvalorização do Yuan em 2017 e agora.

A tese de investimento em bitcoin vem ganhando força, alimentada pelo conceito de escassez digital programada. As regras de emissão são imutáveis, e a oferta monetária é deflacionária. Considerando que mais de 85% do estoque total já está disponível, os adeptos passaram novamente a acumular reservas na tentativa de se antecipar a redução de oferta programada para maio do próximo ano.

Como se aprende nas primeiras de economia, temos de um lado uma curva de demanda crescente e do outro uma curva de oferta prestes a sofrer uma redução de 50%.

Considerando que essa redução é irrevogável, caso a demanda continua em tendência crescente, a tendência é que gradativamente isso vá se incorporando ao preço, tornando factível o prognóstico de testarmos novas máximas mais cedo do que muitos poderiam imaginar.

Apesar desses fatores, é essencial reiterar a importância de uma alocação responsável e adequada ao perfil de risco de cada investidor. Mesmo otimista com esse mercado, entendo que a volatilidade deve se manter, abrindo boas oportunidades para aumento de exposição e realizações pontuais de lucro.

Nos próximos textos trarei recomendações e técnicas que venho utilizando para gerenciar minha exposição ao bitcoin.

Sobre o Autor:

Safiri Felix – Apresentador do programa Bloco Cripto no InfoMoney. Investe em criptoativos nos últimos 6 anos, sendo um dos pioneiros desse mercado no país. Formação acadêmica em Economia na Unesp, Administração no Mackenzie e Banking no LabFin-FIA.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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