Bitcoin: vai piorar antes de melhorar

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Na semana que passou era quase impossível perguntar para alguém: “Iai, tudo bem?”. Não foi uma semana fácil para ninguém que tinha se quer um real investido. Todos os mercados caíram e aquilo que se acreditava ser uma proteção em tempos assim, como o consagrado ouro, não salvou ninguém e muito menos deu retorno, chegando a cair 10% na semana.

A racionalidade tirou férias nessa semana do mercado e basicamente tudo que era ativo de risco, ou simplesmente um ativo, caiu absurdamente. O S&P desde a sua máxima chegou a marcar uma queda de 26% em apenas 16 dias. Para você ter uma ideia, na crise de 2008 esse mesmo patamar só foi atingido em quase 250 dias.

As únicas proteções que funcionaram na semana passada foram aquelas que andavam em contramão ao mercado por definição, como opções e operações vendidas nos índices. Bitcoin e os demais criptoativos não responderam de forma positiva e apenas na semana caiu mais de 30%, com um pico de queda de mais de 50% na madrugada do dia 12 para o dia 13 deste mês.

Podemos sim dizer que o mercado tradicional entrou em colapso e só não foi pior porque existem mecanismos pré-estabelecidos para controlar o ímpeto irracional dos investidores. Os circuit breakers, que são as suspensões de operações nas Bolsas quando ocorrem quedas abruptas, foram acionados e amenizaram as quedas que poderiam ser piores. No entanto, o mercado cripto não possui esse tipo de mecanismo.

Consequentemente a principal (em volume) exchange de derivativos, a Bitmex, permitiu a loucura que aconteceu no bitcoin na madrugada do dia de 12 para 13. O preço do bitcoin nessa exchange chegou a atingir US$ 3500 e em poucos minutos voltou a subir.

Como a plataforma é em boa parte operada por robôs, volatilidades como essa não estão contempladas em seus algoritmos e por isso não possuem uma resposta lógica a essa situação. As liquidações de posições compradas (longs) foram sendo executadas e como em um efeito cascata o preço foi caindo e liquidando mais outras pessoas, fazendo com que cerca de 99% dessas posições compradas fossem liquidadas na Bitmex.

Tenho certeza que quem viveu isso tudo vai olhar para trás em um futuro próximo e pensar nesse momento como uma graduação no mercado. São momentos atípicos assim que fazem um trader ou um investidor criar musculatura de verdade.

Mesmo com essa semana atípica do mercado ainda não acho que podemos dizer que chegamos ao fundo do poço, lembre-se que as vezes fundo de poço tem alçapão. Digo isso porque os impactos do coronavírus ainda serão sentidos mais drasticamente nas economias de Europa, depois Estados Unidos e por fim no Brasil. A única coisa que pode amenizar esse ciclo de queda seria o anúncio de uma cura ou uma vacina, mas até chegarmos nesse ponto as economias irão se fechar por algumas semanas.

Isso terá reflexos concretos e imediatos no mundo todo e alguns investidores de varejo não estão entendendo dessa forma. Dados da Robinhood, uma corretora do mercado tradicional com grande massa investidora vindo varejo, mostram que o número de investidores com ETF de S&P (fundo de índice que replica a bolsa americana) na carteira subiu mais 10% com essa queda.

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Fonte: Robintrack

Para quem está sempre acostumado ver em momentos como esse o investidor de varejo, na média, entrando em pânico e vendendo suas posições, essa é uma situação bem atípica de se ver. Indo além, olhando para o sentimento de mercado por meio de interações nas redes sociais entre investidores e gurus ainda vejo uma sensação otimista, o que novamente me parece bem estranho.

A pergunta que mais me tenho feito é se na média o investidor aprendeu a investir e aproveitar momentos como esse e estamos diante de uma mudança de paradigma, ou novamente o investidor de varejo está agindo impulsivamente e indo na contramão do que seria mais lucrativo?

Sendo sincero com você, não sei a resposta, mas iremos saber logo.

Como ouvi do João Piccioni, colega de trabalho, em uma brilhante analogia, o momento atual é aquele que estamos em um carro com uma pista cheia de neblina que não dá pra olhar um palmo na frente. Portanto, seria o momento de parar e esperar no acostamento até a neblina passar. Não é o momento de sair acelerando para chegar o mais rápido possível ao final. E mesmo que você esteja apressado, posso sugerir um meio termo, ligue o pisque alerta, acenda os faróis e vá bem devagar, se possível dando suaves toques na buzina para não atropelar nada pela frente ou ninguém passar por cima de você.

Digo isso porque nada me tira da cabeça que o mundo estará pior nesta semana que começará comparado a passada. As notícias serão cada vez piores na Europa, nos Estados Unidos e também na América Latina. As nações terão que decidir se agirão em prevenção ou em reação a contaminação do coronavírus. Ainda vamos ver uma piora antes da melhora na economia mundial.

E o bitcoin, como fica nisso?

Não podemos dizer que a pressão de venda acabou nesse mercado e que não teremos mais vendas no curto prazo. Por outro lado, sem sombra de dúvidas, esse era um teste que o mercado cripto nunca tinha passado, uma crise em escala global semelhante à de 2008. A forma como bitcoin sair dessa crise definirá se ele possui ou não um futuro na economia.

A latente narrativa de que bitcoin surgiu como um contraponto ao sistema financeiro tradicional não terá melhor momento para se provar melhor do que agora e logo após o fim do surto do coronavírus. Os bancos centrais vão ter que agir em conjunto para salvar a economia mundial através da queda de juros e também da disponibilização de recursos na ordem de centenas de bilhões de dólares. Isso é exatamente o que o bitcoin como reserva de valor visa combater.

Se dentro de 6 a 12 meses o bitcoin não conseguir se provar ao que veio e capturar parte da insegurança do mundo nos seus governos, poderemos decretar o fim da tese e partir para a próxima.

E você? Acha que a narrativa de bitcoin como ativo de proteção vai pegar em um futuro próximo? Qualquer dúvida deixe um comentário no post. Sempre gosto de ouvir a sua opinião sobre o que escrevi.

Abraços e até a próxima.

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Sobre o Autor:

André Araujo – Engenheiro mecatrônico formado pela USP que adora consumir conteúdos de inovação. Foi para o mercado financeiro por um desejo pessoal de investir melhor seu dinheiro e descobriu o bitcoin nessa jornada. Desde 2015 investe em cripto e em 2017 passou a viver profissionalmente desse nicho de mercado. Hoje é obstinado por procurar as melhores ideias de investimento na criptoeconomia.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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