Cripto Semanal #28

Cripto Semanal #28

Institucional
17 de junho de 2019 por XDEX
54
Estamos nos aproximando da metade de 2019 e o bitcoin segue batendo recordes no ano. Um novo rally teve início no dia de ontem que fez a cotação superar US$ 9.390 em vários exchanges mundo afora e R$ 36.497 na XDEX. Mas a tendência altista não se restringiu ao bitcoin. Praticamente todas as outras criptos têm
Banner Cripto Semanal XDEX

Estamos nos aproximando da metade de 2019 e o bitcoin segue batendo recordes no ano. Um novo rally teve início no dia de ontem que fez a cotação superar US$ 9.390 em vários exchanges mundo afora e R$ 36.497 na XDEX.

20190617 Tabela 2 - Cripto Semanal #28

Mas a tendência altista não se restringiu ao bitcoin. Praticamente todas as outras criptos têm apresentado fortes retornos neste segundo trimestre. Em termos globais, o valor de mercado está se aproximando de US$ 290 bilhões.

O que capturou a atenção de todos, porém, foram os novos detalhes descobertos sobre a Facecoin, Globalcoin, Zuckbucks, enfim, sobre a criptomoeda do Facebook cujo nome oficial do projeto é Libra.

Segundo as diversas matérias publicadas, o Facebook está trazendo a bordo do projeto várias empresas de peso, como VISA, Mastercard, Uber e Lyft, VCs, Spotify, eBay, Mercado Livre, PayPal, numa espécie de consórcio gerido por este grupo seleto de corporações. Definitivamente, a gigante da rede social não está brincando. A lista completa pode ser vista abaixo (fonte: The BlockCrypto). O white paper da GlobalCoin deve ser publicado amanhã, dia 18 de junho.

Publicidade:

728x90 2 - Cripto Semanal #28

libra%20 facebook - Cripto Semanal #28

Diante dessa novidade no mundo das criptomoedas, seria a Globalcoin uma concorrente ao bitcoin e demais criptos descentralizadas ou um catalisador à adoção massiva? As opiniões estão bastante divergentes.

Primeiro, vamos aos fatos: uma stablecoin lastreada em dólares ou alguma outra cesta de moedas (ao que tudo indica, esse será o modelo da cripto do FB) é diametralmente oposta ao bitcoin; este descentralizado sem autoridade central, aquele, bom, vocês entenderam.

Portanto, concorrente ou complementar? Honestamente, creio que neste estágio de adoção, vejo mais como um projeto que vem a agregar ao ecossistema. De duas formas: primeiro, porque mostra ao restante das empresas de tecnologia que é necessário, sim, estar, no mínimo, atento à inovação disruptiva do blockchain.

Segundo, porque a indústria como um todo pode caminhar para um verdadeiro divisor de águas, rumando a uma batalha de padrões, ou protocolo. De um lado teremos plataformas (tecnologias) abertas, o bitcoin e assemelhados, do outro, plataformas proprietárias, centralizadas.

O inegável é que são modelos de negócios e de segurança irreconciliáveis. Twitter e Microsoft estão indo na direção de blockchains públicos e abertos como o bitcoin, Facebook está apostando na centralização. Seria uma guerra semelhante à da internet contra as intranets dos anos 1990? Talvez. E o resultado dessa é amplamente sabido.

Para encerrar o assunto Libra, recomendo este thread da Meltem Demirors dissecando os motivos de Zuckerberg por trás do projeto (em resumo: operar pagamentos e serviços financeiros sem ser qualificado como banco e, no processo, monetizar mais um zilhão de novos dados coletados de usuários).

Ainda sobre as gigantes de tecnologia, merece menção o projeto do Google que está desenvolvendo um híbrido de blockchain e cloud usando o Ethereum como a plataforma base. É difícil prever as aplicações que poderão surgir, mas, sem dúvida, alguma, é mais uma evidência na importância da tecnologia para as Big Tech do Silicon Valey.

Voltando o foco para Wall Street, a Bakkt anunciou – finalmente – o início dos contratos futuros com entrega física (digital) de bitcoin para o dia 22 de julho. Esse será o primeiro contrato futuro com entrega, negociado, liquidado e custodiado pela própria ICE Futures (Intercontinental Exchange, dona Bakkt e da NYSE).

Por fim, em território nacional, destaco o comunicado conjunto entre a Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia, o Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários e a Superintendência de Seguros Privados tornando “pública a intenção de implantar um modelo de sandbox regulatório no Brasil.”

Conforme o próprio documento: “Essa iniciativa surge como resposta à transformação que vem acontecendo nos segmentos financeiro, de capitais e securitário. O uso de tecnologias inovadoras, como distributed ledger technology – DLT, blockchain, roboadvisors e inteligência artificial, tem permitido o surgimento de novos modelos de negócio, com reflexos na oferta de produtos e serviços de maior qualidade e alcance.”

Mais um importante marco para o setor de blockchain no Brasil e mais uma amostra de que o atual governo está priorizando a inovação no mercado financeiro.

Uma boa semana a todos!

Fernando Ulrich,
Analista-Chefe da XDEX.
www.xdex.com.br

Adicionar um comentário