Cripto Semanal #5

XDEX Cripto Semanal Bitcoin Fernado Ulrich

O Bitcoin completa dez anos.

Este ano se inicia de forma muito especial: no dia 3 de janeiro o Bitcoin completou exatos dez anos de existência. A data tem um simbolismo importante, afinal de contas, passamos da primeira década do início do sistema, ou, mais precisamente, dez anos do bloco gênese, o primeiro bloco minerado por Satoshi Nakamoto.

Neste período, a rede processou mais de 370 milhões de transações, operando 24 horas por dia e por todos os dias do ano, com um nível de confiabilidade (uptime) de mais de 99,98%, sem nenhum caso de fraude ou desvio de fundos no blockchain e sem nenhuma autoridade central coordenando todo esse trabalho — uma verdadeira proeza da inovação tecnológica.

E o preço do bitcoin? Bom, neste quesito, tivemos uma montanha-russa, dez anos de alta volatilidade, embora decrescente. Quem acumulou alguns bitcoins ainda em 2009, obteve retorno infinito. Como isso é possível? Ora, naquele início, uma unidade de bitcoin valia zero, não tinha um preço sequer.

É claro que, se considerarmos o custo que alguém incorreu para gerar ou obter alguns bitcoins, talvez o investimento inicial não tenha sido efetivamente zero, concedo este ponto. Ainda assim, o retorno atingido nesse período certamente o elevaria ao posto de melhor investimento do século. Mas esse foi um privilégio para poucos.

Uma comparação ano a ano.

Voltando ao momento atual, os retornos registrados nos últimos dois anos não poderiam ser mais contrastantes. Enquanto 2017 registrou as máximas históricas para o bitcoin e vários outros criptoativos, 2018 terminou com quedas na ordem de mais de 80% desde o pico. No ano fechado, estas foram as variações verificadas para os principais criptoativos do mercado:

XDEX Cripto Semanal Bitcoin e outras criptomoedas Tabela 1 Fernando Ulrich

Nesta manhã de segunda, o valor de mercado de todos os ativos situa-se ao redor de US$ 136 bilhões, e estas são as cotações dos principais ativos:

XDEX Cripto Semanal Bitcoin e outras criptomoedas Tabela 2 Fernado Ulrich

Um momento para reflexões.

A virada de ano sempre suscita reflexões, introspecções, análises das mais variadas. E, embora esta seja uma carta semanal, vale a pena destacarmos alguns textos e ideias que nos fazem enxergar o todo, nos fazem colocar tudo em perspectiva, para podermos filtrar os ruídos e captar os sinais.

O primeiro deles é o artigo de W. Scott Stornetta, “Crypto is down, so why am I smiling” (cripto está em baixa, então por que estou sorrindo?), publicado no dia 26 de dezembro, recapitulando o ano que se encerrava. Para quem não o conhece, das oito referências no white paper do Bitcoin, três são obras suas.

Stornetta expõe os motivos que o fazem ser otimista com o futuro do blockchain, cujos elementos centrais da tecnologia ele e seu colega Stuart Haber já pesquisavam há 30 anos. “Dessa perspectiva”, conclui o criptógrafo, “as perturbações deste ano que passa são questões transitórias que distraem dos fundamentos de criação de valor”.

Neste sentido de perspectiva de longo prazo, recomendo também esta conversa entre Chris Dixon (sócio do fundo de venture capital A16Z, Andreessen Horowitz) e Brian Armstrong (fundador e CEO da Coinbase) sobre o início da Coinbase e o mercado de criptoativos em geral.

Quem quiser uma análise sobre as altas e quedas de preços, vale conferir este debate na Bloomberg com Ryan Selkis, fundador da Messari, uma startup focada na compilação e análise de estatísticas do mercado de cripto.

A evolução da rede do Bitcoin e do Ethereum

Especificamente sobre a rede do Bitcoin, não posso deixar de mencionar a retrospectiva de Jameson Lopp, desenvolvedor da empresa Casa (soluções de custódia). “A maior parte das pessoas está familiarizada com a cotação do bitcoin”, escreve Lopp, “mas ela é apenas uma de várias métricas que podemos usar para observar a evolução do ecossistema”. Concordo com o autor quando afirma que “sim, o bitcoin teve desempenho pobre em termos de preço em 2018, mas, por quase qualquer outra métrica, o sistema está melhorando e crescendo”.

Em termos de adoção por comerciantes, este artigo faz uma ótima análise de como está evoluindo o uso do bitcoin como pagamento.

A segunda maior rede dessa indústria, o Ethereum, apesar ser mais jovem que a do Bitcoin, conta com uma vasta quantidade de desenvolvedores e entusiastas. Aproveitando o ensejo de novo ano, sugiro a leitura do texto de Felipe Pereira da Paradigma Capital, “Visions of Ether”. O objetivo do autor foi identificar e analisar a evolução das principais narrativas sobre o propósito do Ethereum ao longo de sua existência.

Uma das grandes aplicações do Ethereum em 2017 e 2018 foram os chamados ICOs (Initial Coin Offerings, oferta inicial de criptomoeda) e as cifras bilionárias levantadas por meio desse inovador artifício. O que poucos analisaram, contudo, foi o uso dos fundos captados. Este site procura analisar precisamente esse ponto: a destinação dos ethers angariados por meio de ICOs.

E já que mencionei a Paradigma Capital, segui-los no twitter é obrigatório. Não postam com frequência mas, quando o fazem, sempre produzem conteúdos pertinentes e originais, a exemplo deste tweet recente sobre como o bitcoin é a “transformação da energia em dinheiro”.

Por que o Bitcoin importa para a liberdade.

Como sugestão final de leitura, deixo este excelente artigo publicado na revista americana Time, por Alex Gladstein da Human Rights Foundation, intitulado “Why Bitcoin matters for freedom” (Por que o Bitcoin importa para a liberdade). O autor aborda o tema por uma de suas facetas mais importantes e, talvez, determinante para a sua própria criação: a liberdade de transacionar sem possibilidade de cerceamento por quem quer que seja.

Em países desenvolvidos, essa não costuma ser uma preocupação rotineira. Mas, em regiões arrasadas por opressões de toda sorte, inclusive monetária e financeira, a existência de uma tecnologia como o Bitcoin é não apenas necessária como também libertadora. “Ele tem o potencial de fazer diferença real para 4 bilhões de pessoas que não podem confiar nos seus governantes ou que não podem acessar o sistema bancário”, finaliza o autor, “para elas, o Bitcoin pode ser uma saída”.

A XDEX traz novidades!

Por fim, é com felicidade que encerro esta carta com o anúncio do lançamento de cinco novas criptomoedas na plataforma da XDEX. A partir de hoje, 7 de janeiro de 2019, além de Bitcoin e Ether, os clientes da XDEX podem negociar também Ripple, Litecoin, Bitcoin Cash, Dash e Zcash. Com essa novidade, a XDEX agora permite a negociação de sete dos dez maiores criptoativos por volume atual de negociação.

Desejo a todos ótimos trades e um excelente 2019!

Até a próxima semana! Se você perdeu o Cripto Semanal #4, confira aqui.

Fernando Ulrich,
Analista-chefe da XDEX.
www.xdex.com.br

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