Cripto Semanal #7

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Uma estabilização de preços na última semana.

A volatilidade arrefeceu levemente na última semana no mercado de criptoativos e os fechamentos semana contra semana registraram estabilização nos preços. A cotação do bitcoin oscilou numa banda entre US$ 3.450 e US$ 3.950 (considerando os extremos intraday). O preço do ether, no entanto, sofreu variações mais intensas, provavelmente por conta do atraso do hard fork Constantinople.

XDEX Cripto Semanal 7 Bitcoin, Ether e outras criptomoedas Tabela 1 Fernando Ulrich

Fork da rede Ethereum postergado.

“ We are going to delay Constantinople,” (vamos postergar o Constantinople, minuto 1:38), com essas palavras os principais desenvolvedores do Ethereum decidiram que seria mais prudente adiar a atualização programada em virtude de uma potencial vulnerabilidade encontrada em uma das melhorias propostas (veja nosso blog sobre o Constantinople). Neste momento, a nova data tentativa é ao redor do dia 27 de fevereiro, mais precisamente a partir do bloco 7.280.000. 

Sem dúvida alguma que um adiamento acordado às pressas e na véspera da atualização causou turbulências no mercado. Especialmente porque se trata de um upgrade planejado há meses.

Os mais críticos argumentam que isso demonstra a baixa descentralização do Ethereum, enquanto os defensores aplaudiram a “abundância de precaução” adotada pelos devs ao postergar uma atualização em prol da segurança da rede. Seguiremos monitorando os desdobramentos da atualização. 

Rússia investindo em Bitcoin?

No campo dos rumores, ou potencial “fake news”, o jornal britânico The Telegraph noticiou que a Rússia estaria em vias de “investir em bitcoin para contornar as sanções americanas”. Embora considere improvável que isso ocorra no curto ou médio prazo, o fato é que um movimento como esse faria todo o sentido em termos geopolíticos, conforme já comentei no meu blog no InfoMoney. Fiquemos de olho. 

No âmbito da adoção por consumidores e comerciantes, a startup americana Bakkt, cuja dona é ninguém menos que a Intercontinental Exchange (proprietária da NYSE), revelou uma aquisição que irá otimizar e facilitar o uso da tecnologia para pagamentos rotineiros. 

Já a Coinstar, empresa de caixas eletrônicos que transforma moedas metálicas em notas, anunciou a integração com a startup Coinme para permitir a compra de bitcoin em seus terminais. A Coinstar tem nada menos que 20.000 caixas eletrônicos ao redor do mundo. Nada mal para turbinar a adoção da criptomoeda mundo afora. 

Avanços regulatórios para os criptoativos.

Na carta da semana passada comentei, sobre os avanços regulatórios no estado americano de Wyoming. A principal influência por trás desse esforço legislativo vem da Caitlin Long, nativa daquele estado, veterana de Wall Street e grande entusiasta de criptomoedas e blockchain.

Graças ao seu empenho e dedicação, uma nova peça legislativa foi introduzida trazendo uma série de esclarecimentos e definições legais, dentre elas a de “equiparar criptomoedas a dinheiro”. Vale a pena ler na íntegra a notícia e o tweet storn da própria Caitlin

A área de research em criptoativos e blockchain ainda é nascente, mas evolui rapidamente no mundo todo. Ainda que seja mais conhecida pela sua bolsa de futuros, a Bitmex tem publicado excelentes relatórios com análises originais e precisas.

O foco no último relatório foi o uso dos fundos levantados através de ICOs (Initial Coin Offerings) pelos próprios criadores. A Bitmex demonstra que os times que fizeram ICOs captaram recursos não apenas por meio da venda dos tokens iniciais (recebendo, na maior parte dos casos, ethers como contrapartida), mas também por novas “emissões” de tokens para si mesmos, totalizando cerca de US$ 24 bilhões (pelo preço da época das emissões). Eis o link do relatório.

O Grin chega ao mercado de criptomoedas.

E na semana passada, também tivemos o lançamento de uma nova cripto (mas não foi ICO, felizmente): o Grin. Esse é o nome do novo projeto, uma criptomoeda baseada no protocolo MimbleWimble que busca trazer mais privacidade e escalabilidade ao seu blockchain. 

Alguns pontos chamam a atenção neste projeto. Primeiro, trata-se de uma nova tecnologia e não apenas um “copiar & colar com leves modificações” como o Litecoin (sorry Charlie Lee), por exemplo. Segundo, não há ICO, recompensa a fundadores, nem outros incentivos que possam ser considerados controversos, quem quiser participar basta minerar. Terceiro, há vários cypherpunks e desenvolvedores veteranos do bitcoin envolvidos no projeto, alguns de forma anônima. 

O conhecido programador Jameson Lopp tuitou que estava “rodando o grin” no dia que o protocolo foi ao ar. Momentos depois, ninguém menos que Wladimir van der Laan, mantenedor líder do Bitcoin Core, respondeu ao tuíte dizendo que “também iria testar o sistema”. 

Em quarto lugar, é sabido o forte interesse de investidores de venture capital em minerar essa nova cripto. Supostamente haveria cerca de US$ 100 milhões investidos em infraestrutura para essa empreitada. 

Contudo, sob uma perspectiva de investimento, questiona-se a política monetária adotada: 60 grin por minuto (por bloco) infinitamente. Isso significa que a “taxa de inflação” do Grin cairá para abaixo de 3% apenas após 30 anos. Vale acompanhar o desenvolvimento e o interesse nessa nova cripto. Por enquanto não há nenhuma exchange relevante negociando ela. 

Para encerrar, uma dica de leitura sobre as tecnologias que você não pode perder em 2019: o relatório Big Ideas da ARK Invest. Blockchain está lá, óbvio. 

Boa semana a todos! Se você perdeu o Cripto Semanal #6, confira aqui.

Fernando Ulrich,
Analista-Chefe da XDEX.
www.xdex.com.br

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