Cripto Semanal #2

Cripto Semanal #2

Institucional
10 de dezembro de 2018 por XDEX
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Labitconf e a contínua queda do mercado. Na semana passada, participei da Labitconf 2018, em Santiago no Chile. Essa foi a sexta edição da maior conferência do ecossistema na América Latina. Mas antes de contar um pouco do que vi por lá, analisemos primeiro o mercado de criptoativos. Tivemos mais uma semana de volatilidade, mais
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Labitconf e a contínua queda do mercado.

Na semana passada, participei da Labitconf 2018, em Santiago no Chile. Essa foi a sexta edição da maior conferência do ecossistema na América Latina. Mas antes de contar um pouco do que vi por lá, analisemos primeiro o mercado de criptoativos.

Tivemos mais uma semana de volatilidade, mais uma semana de correção. Nesse período, a cotação do bitcoin bateu no menor patamar do ano, ao redor de US$ 3.200 (~R$ 12.300) e a do ether entrou no território dos dois dígitos. Nesta manhã de segunda, os dois ativos estão sendo negociados ao redor de US$ 3.500 (~R$ 13.750) para o BTC e US$ 91 (~R$ 360) para o ETH.

Exatamente um ano atrás, a euforia tomava conta do mercado. Hoje, o sentimento oposto é a norma. Se o pico de otimismo foi alcançado em meados de dezembro de 2017, talvez estejamos chegando ao vale do pessimismo agora. Uma métrica que ilustra essa observação é o nível de shorts de BTC (quem está apostando contra o preço) na exchange Bitfinex. Nessa última semana, o volume de shorts bateu recorde, alcançado a máxima histórica. Isso significa que tocamos o fundo do poço? Não é possível afirmar. Mas é um indicador importante.

Enquanto isso, a volatilidade segue em alta, e o valor de mercado de todos os criptoativos situa-se ao redor de US$ 113 bilhões. Sem dúvida, 2018 tem sido de correção forte e está devolvendo boa parte dos ganhos obtidos no ano passado.

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Risk-off nos mercados tradicionais.

Quando saímos do microcosmo dos criptoativos, o cenário no mercado financeiro não tem sido muito diferente. Até outubro, os índices de ações mundiais vinham numa ascendente. Contudo, o mercado virou e, hoje, grande parte dos índices globais está já no vermelho. O outubro sangrento continuou em novembro e nessas primeiras semanas de dezembro.

As tensões geopolíticas no mundo, a guerra comercial tarifária entre EUA e China, a crise fiscal da Itália, os protestos na França, o Brexit, o aperto da liquidez pelas principais autoridades monetárias do planeta — ou estão elevando os juros, como o Fed, ou reduzindo os estímulos, como o Banco da Inglaterra e o banco do Japão –, e a possível recessão de 2019/20 nos EUA — conforme sinalizado pelo início da inversão da curva de juros — são todos fatores que contribuem para um ambiente de “risk-off”, isto é, os investidores passam a reduzir a exposição a ativos mais voláteis, saindo do risco, e priorizando proteção em vez de retornos.

Risk-off significa fuga para a qualidade, segurança. Significa dólar em alta, rendimentos dos Treasuries em baixa, ouro em alta.

Nesse cenário de risk-off, os criptoativos podem ter sido ainda mais impactados. Se isso for verdade, talvez tenhamos que reavaliar a tese de correlação entre criptoativos e as demais classes de ativos. Até então, criptoativos têm apresentado poucos sinais de correlação.

O sentimento no cripto ecossistema.

Voltando ao nosso ecossistema, a queda do preço e dos volumes negociados mundo afora têm levado muitos projetos e empresas a se adequarem à nova realidade. Na última semana, a ConsenSys, uma das maiores empresas de desenvolvimento na rede do Ethereum anunciou a redução de 13% do seu staff. Especula-se que o ajuste ainda não acabou.

Por outro lado, e na contramão do momento de mercado, a Coinbase comunicou que está estudando adicionar mais 30 ativos à sua plataforma. O anúncio foi recebido com certo ceticismo. Aguardemos os desdobramentos dessa iniciativa.

Para quem quiser se atualizar com várias informações, dados, estatísticas e gráficos sobre a indústria como um todo, recomendo o relatório “State of Blockchain Q3 2018” recém publicado pela Coindesk.

Voltando à Labitconf, é incrível como o preço dos ativos acaba, em boa parte, ditando o humor e várias outras métricas do setor. Estive na Labitconf em 2013 (bull market, preço recém havia superado US$ 1.000) e 2014 (bear market, preço chegou a cair quase 90%). Agora, em 2018, tive a mesma percepção de então. A Labitconf de 2017 estava lotadaça e tudo era festa. Neste ano, o ambiente estava bem mais sóbrio.

Menos hype. Mais fundamento.

Mas para quem está há anos no mercado e entende o potencial da tecnologia, são períodos como esse em que o foco é direcionado a construir e desenvolver. Preparar a infraestrutura para voos mais altos. Menos hype. Mais fundamento.

Da minha parte, fiquei honrado em poder palestrar ao lado de verdadeiras lendas dessa indústria como Andreas Antonopoulos, Dr. Adam Back, Zooko Wilcox, Luke Dashjr, entre muitos outros.

Por sinal, confiram a entrevista histórica que fiz com o Dr. Adam Back. Para quem não sabe, Back é dos responsáveis por uma invenção fundamental no Bitcoin: o HashCash, o qual serviu de modelo para o conceito de mineração da rede.

Até a próxima semana. Se você perdeu o Cripto Semanal #1, confira aqui.

Fernando Ulrich
Analista-Chefe da XDEX
www.xdex.com.br

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