Crise gera corrida por bitcoins na Argentina e em outros países

Crise gera corrida por bitcoins na Argentina e em outros países

Mercado e Tendências
30 de outubro de 2019 por XDEX
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Países que passaram – e passam – por crises econômicas têm visto uma forte alta na busca por compra de bitcoins Nos últimos anos, as criptomoedas se mostraram uma alternativa para as populações de países em crise. Tratado por entusiastas e especialistas como o “ouro digital”, o Bitcoin em especial tem desempenhado um papel cada
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Países que passaram – e passam – por crises econômicas têm visto uma forte alta na busca por compra de bitcoins

Nos últimos anos, as criptomoedas se mostraram uma alternativa para as populações de países em crise. Tratado por entusiastas e especialistas como o “ouro digital”, o Bitcoin em especial tem desempenhado um papel cada vez maior para quem quer fugir das incertezas econômicas.

Um dos grandes exemplos recentes é a Venezuela, que passa por uma grave crise socioeconômica, em que a população enfrenta uma inflação de mais de 1.000.000% (segundo o FMI), alta taxa de desemprego e até mesmo a falta de papel moeda.

Neste cenário, o volume negociado de bitcoins desde o ano passado disparou, já que, mesmo com a volatilidade que ele tem, consegue oferecer proteção contra a hiperinflação e desvalorização da moeda local, o bolívar.

Agora, mais um país latino-americano tem apresentado este estouro nas negociações de bitcoins por causa de uma crise: a Argentina. Os últimos anos já haviam registrado uma forte alta nos volumes, mas desde maio, quando o assunto eleições ganhou força, a média diária chegou a pouco mais de 12 milhões de pesos – contra cerca de 4,8 milhões no ano passado -, segundo dados do site Coin.Dance.

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No último fim de semana ocorreu o pleito presidencial no país, com a vitória da chapa de oposição formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner. E em meio a tanta incerteza política, no sábado (26), houve a segunda maior alta de volume de bitcoins negociados no ano, com 14.151.046 de pesos.

O uso do Bitcoin como ativo de proteção é tão grande, que o volume negociado na Argentina supera em três vezes o período de maior euforia do mercado, no fim de 2017, quando o Bitcoin marcou sua máxima histórica na casa de US$ 20 mil.

Confira no gráfico abaixo ou clicando aqui:

Toda essa procura por bitcoins tem feito com que a criptomoeda passasse a negociar com um prêmio cada vez maior na Argentina.

Enquanto no mercado global o Bitcoin está na casa de US$ 9.300, vendedores argentinos negociam o criptoativo já próximo de US$ 11 mil.

“Com uma comunidade bastante ativa e demanda crescente, a Argentina é um case perfeito para disseminação do bitcoin como hedge contra instabilidades”, avalia Safiri Felix, diretor executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

E mais um fator pode fazer com que as buscas – e o preço – por Bitcoin aumentem é a recente medida que entrou em vigor limitando a compra de moedas na Argentina por mês a apenas US$ 200 por meio de contas bancárias e US$ 100 em espécie (o limite anterior era de US$ 10 mil por mês).

“A economia argentina é fortemente dolarizada e as restrições cambiais impostas pelo novo governo eleito incentiva a população em busca de alternativas”, explica Safiri. Por outro lado, não há nenhuma restrição para a compra de Bitcoin na Argentina.

Líbano também é exemplo

Outro país que também está começando a chamar atenção para o case das criptomoedas é o Líbano, que enfrenta diversos protestos populares há cerca de duas semanas.

A população tem se manifestado contra os políticos locais, que são acusados de corrupção e de levarem o país em direção à maior crise econômica desde a guerra civil que o país viveu de 1975 a 1990.

Esta situação levou ao fechamento dos bancos no país, afetando o acesso da população à recursos financeiros. Com isso, começou a crescer a busca das pessoas por alternativas que tirem a necessidade da intermediação dos bancos, como é o caso do Bitcoin.

Até mesmo Nassim Nicholas Taleb, autor de “O Cisne Negro” e “Antifrágil”, defendeu o Bitcoin neste cenário.  “O caso de uso mais poderoso para criptomoedas: os bancos nunca estão lá quando você precisa deles”, disse ele no Twitter sobre o fechamento dos bancos no Líbano.

“E eles [bancos] estão tentando intimidar o público para evitar a responsabilidade e desembolsos de lucro. Os banqueiros são bandidos legais”, completou.

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Sobre o Autor:

Por Rodrigo Tolotti Umpieres – Colunista da InfoMoney

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