Entendendo a Inovação do Bitcoin

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Muitos não sabem, mas o dinheiro é mais antigo até mesmo que a escrita – que foi inventada, justamente, para registrar transações monetárias e controle de dívidas. O dinheiro é, talvez, a tecnologia mais antiga da humanidade.

É estranho nos referirmos ao dinheiro como uma tecnologia, mas isso é exatamente o que ele é – dentre muitas outras coisas, é claro. O dinheiro é uma ferramenta que usamos para fazer trocas de forma mais eficaz – pelo método das trocas indiretas – e para atingirmos mais facilmente nossos objetivos enquanto indivíduos. Em um contexto mais amplo, o dinheiro permite que uma sociedade produza o que é necessário e aloque seus recursos nos lugares onde eles são mais necessários – o que é chamado de cálculo econômico. Por último, ele dá a opção sem efeitos colaterais de postergar uma transação até o momento mais oportuno, preservando o valor poupado.

O Bitcoin é a maior e mais recente inovação do dinheiro. Mas antes de falar especificamente dele, vamos abrir um grande parêntesis para falar de inovações de um modo geral.

Entendendo Inovação

A principal consequência de uma inovação é o impacto causado na sociedade como um todo ou na vida de alguns indivíduos mais diretamente ligados a ela. Esse impacto é tanto maior quanto a capacidade dessa inovação de resolver problemas desses indivíduos.

De modo geral, inovações são incrementais. Elas vão resolvendo pequenos problemas, fazendo pequenos aperfeiçoamentos e melhorias, um após o outro, de forma a construir uma escada cheia de pequenos degraus até um estágio mais complexo de produção. Esse estágio mais complexo é o que permite a solução mais eficaz dos “problemas” do mundo econômico. Uma tecnologia que resolve mais problemas – ou que resolve melhor – é mais complexa que uma tecnologia ultrapassada. É quase como um mecanismo evolutivo: para chegar aos mamíferos, primeiro tivemos que passar pelos répteis, pelos peixes, pelos insetos, pelos crustáceos etc.

Contudo, de tempos em tempos ocorrem grandes invenções e descobertas que proporcionam um salto bem maior nessa busca por solução de problemas. Alguns exemplos são o uso da pólvora, a máquina a vapor, a prensa de Gutenberg, a descoberta da eletricidade, a telefonia, a fotografia, a computação e a internet.

“Legal, mas e daí? O que isso tem a ver comigo, com o cidadão comum ou com qualquer pessoa normal? O que isso muda na minha vida? O que isso muda na vida das pessoas?”.

Bom, à primeira vista parece que o único beneficiado de uma inovação é a pessoa que o criou, pois pode vender essa descoberta e ganhar rios de dinheiro com isso, mas esse é somente – como já disse – o primeiro efeito. No decorrer dos anos, o efeito das inovações vai se disseminando e afeta a vida de milhões de pessoas.

Há duas formas dessa mudança impactar alguém: diretamente ou indiretamente.

Quando há uma nova tecnologia disponível para uso, todas as atividades que utilizam essa tecnologia se tornam mais economicamente viáveis. Significa que os custos foram reduzidos para essa atividade ou que o produto oferecido tem uma qualidade melhor e mais adequada para o consumidor ou ainda que há um melhor aproveitamento das matérias primas e recursos. A consequência disso é um crescimento do setor: começam a surgir mais empresas, a competição cresce, a taxa de inovação aumenta e os preços para o consumidor caem. Essas são as consequências que são vistas, são os impactos diretos.

Já os impactos indiretos são as consequências que não são vistas. A maior eficiência das empresas diretamente ligadas à inovação permite que os insumos produzidos por elas sejam mais acessíveis, o que significa que outras empresas podem adquiri-los a um custo menor. Isso, por si só, aumenta a rentabilidade dessas empresas e permite que outras empresas surjam. Além disso, com uma maior produtividade em vários setores, uma proporção menor dos bens produzidos é destinada para consumo, enquanto o restante é poupado e investido (de uma forma extremamente simplificada, esse efeito é refletido nas taxas de juro, que diminuem). O investimento é o motor que faz a produtividade aumentar, então um aumento no investimento faz a produtividade aumentar mais rapidamente. É um ciclo virtuoso: mais inovação → mais produtividade → mais poupança → mais inovação.

O exemplo a seguir (que li pela primeira vez em uma coluna do Leandro Narloch) é ótimo para entender os efeitos disso:

Comida é algo essencial para a sobrevivência dos seres humanos. Precisamos tanto de comida que passamos parte do dia trabalhando para poder comprá-la depois. Agora, imagine que comida começasse a cair do céu, todos os dias. Não precisaríamos gastar tempo, recursos e mão de obra para produzir comida. Nessa situação, a humanidade estaria evidentemente melhor, pois pode utilizar os recursos que estavam direcionados para a produção de comida em uma outra atividade. É absurdo supor que a mão de obra desalojada da produção de comida seja um problema, pois essa mão de obra será absorvida por outros setores junto com todos recursos que migraram para eles.

Inovação do Bitcoin

Entendidos todos esses conceitos sobre inovações, fica mais fácil associar esses mesmos conceitos à criação do Bitcoin.

Há vários efeitos diretos. Um dos mais importantes e pouco apresentados é a inclusão financeira de indivíduos sem acesso a serviços bancários – e esse efeito se parece muito com a comida caindo do céu! Segundo o World Bank, mais de 1,7 bilhões de adultos não possuem acesso a serviços bancários – algo que parece ser uma trivialidade para muitos de nós. No Brasil, são 45 milhões de pessoas – segundo o Instituto Locomotiva. Parte da explicação para essa exclusão financeira está nas altas taxas cobradas por bancos, no investimento da sua infraestrutura, no custo operacional, as enormes despesas com segurança da informação e até mesmo a desconfiança para com o setor bancário – o banco pode não conseguir/querer devolver seus fundos.

Bitcoin é uma alternativa a isso!

Ter uma carteira de Bitcoin no seu celular é como ter um banco no seu celular. Não uma conta corrente, mas um banco. Andreas Antonopoulos – possivelmente o maior especialista em Bitcoin no mundo – afirma isso em diversas palestras e em seu livro “The Internet of Money”. Bitcoin oferece acesso a serviços financeiros básicos a todas essas pessoas. Elas podem fazer transações com qualquer pessoa no mundo, podem guardar suas economias de uma forma segura sem precisar confiar em terceiros, podem receber fundos de qualquer lugar do mundo para implementar seus projetos e podem fazer isso pagando menos taxas e fees do que no sistema financeiro estabelecido. Sem falar na segurança da informação, o Bitcoin nunca sofreu um ataque bem-sucedido de fraude – e não por falta de tentativas.

Vou colocar na seguinte perspectiva: a capitalização de mercado do Bitcoin é superior a US$ 177 bilhões de dólares no momento que escrevo este artigo – entendo que este número é altamente questionável, mas ele serve para ilustrar a questão. Quem conseguir hackear a rede do Bitcoin terá acesso a uma parte considerável disso – é o prêmio para quem conseguir fraudá-lo. Some-se a isso que ele vem operando a mais de 10 anos ininterruptamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Essa é a dimensão da anti-fragilidade dessa tecnologia.

Na verdade, o Bitcoin é muito mais do que um banco suíço, essa é apenas a primeira aplicação dele. O que o Bitcoin realmente é, é uma plataforma de confiança descentralizada. Toda atividade que envolve confiança, intermediários, segurança de informação e privacidade tem a ganhar com o uso do Bitcoin ou uma Blockchain descentralizada. O ganho na eficiência produtiva que isso pode proporcionar não pode ser subestimado.

No âmbito monetário, criptomoedas em geral apresentam uma alternativa muito interessante para a adoção de políticas econômicas. Como a plataforma funciona em formato de consenso, quaisquer regras podem ser definidas na criação de uma nova criptomoeda que venha a existir. Há espaço para uma “Keynes Coin”, uma “Milton Coin” ou uma “Mises Coin”, cada qual operando segundo regras diferentes e pré-definidas (que vença a melhor política econômica!). Assim como há milhares de criptomoedas, das quais muitas são pequenos ajustes em relação ao Bitcoin, nada impede que haja competição entre moedas e políticas monetárias – assim como propôs Hayek em 1976. Na verdade, parece que é este caminho que estamos trilhando – e parece que nada mais pode nos tirar dele. Se partirmos do pressuposto que a competição produz melhores produtos e serviços para consumidores, a competição entre moedas produzirá melhores formas de dinheiro.

Além de tudo isso, não pode ser deixado de comentar que esses efeitos são sempre mais significativos para indivíduos em situação econômica mais vulnerável, tanto pelos impactos diretos quanto pelos indiretos.

O mais importante, contudo, é entender que, justamente por ser uma inovação tão importante e com tantos desdobramentos, a adoção do Bitcoin e de outras criptomoedas é um fenômeno espontâneo, orgânico e descentralizado que só pode ser suprimido – se é que pode – através de imensa ação coercitiva e a muitas custas. Raramente inovações puderam ser contidas no passado e o Bitcoin foi desenhado para que fosse impossível de ser parado.

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Sobre o Autor:

Mathias Kux – É formado em Engenharia Elétrica/Eletrônica pelo Instituto Mauá de Tecnologia, período no qual também organizou uma equipe de xadrez universitário enquanto estagiava em uma grande empresa de telecomunicações. Logo que se formou, decidiu direcionar sua carreira para a área de finanças corporativas, o que o fez entrar na área de planejamento financeiro em uma empresa de energias renováveis, onde está até hoje. Ao longo desse período, conheceu a Escola Austríaca de Economia e o Bitcoin – praticamente ao mesmo tempo. Fez a pós-graduação do Instituto Mises Brasil e outros cursos voltados para a área financeira. De tempos em tempos, também dá palestras sobre alguns desses temas.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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