Ethereum ainda nos reserva uma oportunidade?

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Bitcoin já subiu mais de 40% no ano e a expectativa para o final do ano nos mostra que ainda temos maiores ganhos a frente. Se tirarmos o olho do principal ativo do mercado veremos que o ano começou ainda melhor para as altcoins.

Dos top 10 ativos que não são stablecoins, todos tiveram altas maiores que o principal ativo do mercado.

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Fonte: Messari Pro

O que se desenha nesse começo de ano é um bull market muito parecido com o que vimos em 2017, com vários ativos superando a valorização do bitcoin e assim marcando uma altseason bem lucrativa para os investidores.

Se o seu portfólio pessoal está muito concentrado em bitcoin, ou tem apenas esse ativo, agora é a hora de diversificar para conseguir capturar multiplicadores maiores que o principal ativo do mercado reserva. E você nem precisa ir muito longe, já na segunda posição temos o ether, que possui uma ótima simetria para o ano de 2020.

O que está em curso nesse protocolo é uma mudança de narrativa de valor na qual pode fazer com que diminua a pressão de venda do ativo e com isso veremos uma alta nos preços.

Uma mudança de narrativa de valor

Os investidores mais antigos que viveram 2017 expostos a essa classe de ativos, puderam ver o quão irracional um mercado pode ser. Apenas o ether saiu de US$10 para atingir US$1400 e outros inúmeros tokens de captação não regulada conseguiram multiplicadores ainda mais exorbitantes.

O principal fato que explica a escalada do preço do ether foi a quantidade absurda de captação não regulada que ficou conhecida como ICO (Initial Coin Offering). Basicamente um ICO era uma captação de recursos utilizando o ether como moeda de troca.

O exemplo mais básico e recorrente desse período era o seguinte. Um grupo de jovens programadores com uma ideia na cabeça e uma apresentação criavam uma página online e expunham sua visão de futuro para uma determinada invenção. Na grande maioria das vezes, isso envolvia a proposta de criação de um blockchain melhor e mais rápido que o do Bitcoin, ou do Ethereum.

Então investidores do mundo todo, pessoas comuns como eu e você, poderiam gostar da ideia e apoiá-la, na expectativa de que ela desse certo e o dinheiro investido se multiplicasse. Esse fluxo se intensificou durante o ano de 2017 e milhares de pessoas tiveram que comprar ether para poderem participar dessas captações de recursos não reguladas. Consequentemente o fluxo comprador do ativo foi enorme e isso fez o preço saltar até o pico de US$1400.

Da mesma forma que o preço subiu vertiginosamente em 2017, ele caiu em 2018. Uma das razões dessa pressão vendedora no ether foi a quantidade do ativo que estava nas tesourarias dos projetos que captaram no ano anterior e precisavam pagar suas despesas em moeda fiduciária, como o dólar.

Isso fez com que boa parte daquele dinheiro que gerou pressão compradora em 2017 mudasse de lado e passasse e exercer força de venda. Dessa forma a narrativa do ethereum como instrumento de captação enfraqueceu e os modelos mudaram ao longo de 2018, com a introdução de STO (Security Token Offering) e IEO (Initial Exchange Offering) como alternativa ao ICO.

O STO é um modelo regulado no qual existe um aval de um órgão governamental para que seja feito uma captação e oferece alguma segurança ao investidor. O IEO é basicamente um ICO que em teoria teve uma curadoria de uma exchange e por isso, em tese, deve ter apenas lançar projetos mais consistentes.

Foram esses novos modelos que possibilitaram o crescimento das captações, mesmo com o ether sofrendo bastante durante 2018, chegando à marca de US$80. Em 2017 tivemos uma captação de US$ 7 bilhões e em 2018 esse número foi de US$19,6 bilhões, segundo relatório da PwC.

Já em 2019, uma outra utilidade para o protocolo do ethereum emergiu e ajudou a construir uma outra narrativa que pode ajudar na recuperação do preço do ativo.

O termo finanças descentralizadas (DeFi) apareceu nas discussões da comunidade do ethereum ainda em 2017 com a proposta da MakerDAO, mas só começou a ganhar força em 2018.

Para os que não entendem o que o termo quer dizer, basicamente o que a estrutura de DeFi se propõe é oferecer algum tipo de serviço bancário sem a necessidade de um banco ou de um intermediário, como por exemplo o MakerDao. Essa plataforma permite com que se tome empréstimos por meio de um depósito de garantia.

Funciona da seguinte forma, uma pessoa que tem aproximadamente US$150 em ether pode travar esse valor na plataforma e conseguir o equivalente a US$100 em uma stablecoin chamada DAI (ou SAI) que possui paridade com o dólar, sendo um DAI equivalente a um dólar americano.

Pode não fazer sentido na realidade da maioria das pessoas tomar emprestado um valor menor do que o de garantia que facilmente poderia ser convertido em dinheiro. No entanto, lembre-se que a primeira narrativa de valor do ether foram os ICOs e que várias tesourarias dos projetos tiveram que despejar ether no mercado para pagar salários e custos. Por isso, a inovação da MakerDAO veio totalmente a calhar para esse tipo de situação. Isso porque agora as empresas conseguem pagar suas despesas sem a necessidade de gerar pressão vendedora no ether e ainda ficarem expostas a valorização do ativo.

A evolução do total de ether travado na plataforma mostra que o produto encontrou um mercado realmente.

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Existem outras estruturas de finanças descentralizadas que são semelhantes a MakerDAO, mas nenhuma tem o seu tamanho. Atualmente o volume de ether travado na plataforma em contratos de empréstimo é de mais de 60% do volume total em DeFi.

Se por um lado tomar empréstimo sem ter que se desfazer da posição é algo bom para os projetos, ter uma stablecoin descentralizada com paridade um para um com o dólar tem também o seu valor.

Imagine que em países com grandes taxas de inflações que não conseguem ser controladas pelos governos, poder comprar DAI para se proteger tem um valor imenso, ainda mais se o governo local decidir limitar para população a compra de dólares. Por isso a equipe da MakerDAO está divulgando o DAI dentro de países como a Argentina.

Conclusão

É natural que uma inovação, quando ela tem caráter disruptivo, possa vê-la e defini-la por diversas facetas e cada uma delas com o seu próprio valor. Mesmo assim, a mudança da narrativa de valor não significa o fim de uma e começo da outra, apenas mostra que mais valor pode ser agregado a plataforma.

A captação utilizando blockchain e a tokenização de ativos reais ainda serão tópicos quentes no futuro, da mesma forma que o e-mail foi o por muito tempo a grande aplicação da internet e depois passou a exercer papel secundário, mas ainda de grande valor.

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Sobre o Autor:

André Araujo – Engenheiro mecatrônico formado pela USP que adora consumir conteúdos de inovação. Foi para o mercado financeiro por um desejo pessoal de investir melhor seu dinheiro e descobriu o bitcoin nessa jornada. Desde 2015 investe em cripto e em 2017 passou a viver profissionalmente desse nicho de mercado. Hoje é obstinado por procurar as melhores ideias de investimento na criptoeconomia.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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