Hashrate e a dificuldade de Mineração

Hashrate e a dificuldade de Mineração

Tecnologia
10 de setembro de 2019 por Fernando Ulrich
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Durante todo o ano de 2018, muitos analistas previam a “espiral da morte” do bitcoin. Dada a queda de preço ao longo do ano, especialmente a partir de outubro, a tese era de que a mineração se tornaria inviável, efetivamente paralisando a rede. A queda na remuneração dos mineradores (em função da cotação do BTC),
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Durante todo o ano de 2018, muitos analistas previam a “espiral da morte” do bitcoin. Dada a queda de preço ao longo do ano, especialmente a partir de outubro, a tese era de que a mineração se tornaria inviável, efetivamente paralisando a rede.

A queda na remuneração dos mineradores (em função da cotação do BTC), aliada aos custos crescentes de operação, levaria ao desligamento de máquinas, o que reduziria a força computacional, pressionando o preço para baixo, numa verdadeira “espiral da morte”.

E quem olhasse o gráfico da força computacional a partir de novembro de 2018, medida em exahash (um exahash = um quintilhão de hashes por segundo), veria a sua tese sendo “comprovada”.

O furo desta análise foi menosprezar — ou desconhecer — o ajuste de dificuldade da mineração, o qual serve para equilibrar a rentabilidade da atividade de mineração. De fato, o ajuste de dificuldade é um dos artifícios mais engenhosos da invenção de Satoshi Nakamoto. É ele que permite a mineração ser uma empreitada auto-sustentável.

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No momento em que os mineradores passam a ter prejuízo, parte dos equipamentos é desligada, reduzindo a força computacional, alongando o tempo entre cada bloco minerado, reajustando a dificuldade para baixo, até reencontrar o ponto de equilíbrio. Mas qual o ponto de equilíbrio? Ex ante, não é possível prever, apenas o livre mercado de mineração poderá definir.

O que em 2018 alguns denominavam de espiral da morte era, em realidade, apenas a rede sofrendo um forte reajuste na dificuldade de mineração vis-a-vis a persistente queda no preço do bitcoin.

Após algumas das maiores reduções de dificuldade na história da rede (a de novembro foi a segunda maior queda desde que a rede teve seu início em 2009), a taxa de hash chegou às mínimas daquele ano ao redor de 30 exahash.

Hoje, passados quase nove meses, a força computacional quase triplicou, atingindo picos de quase 90 exahash. No gráfico deste post, vemos a média de sete dias da força computacional comparada com a dificuldade.

20190906 HASHRATE - Hashrate e a dificuldade de Mineração

O que tudo isso significa? Não apenas não tivemos e não teremos a espiral da morte, quanto a rede nunca esteve tão segura. Entender o mecanismo de ajuste da dificuldade de mineração, ou como prefiro denominar, o “ajuste da rentabilidade dos mineradores”, é fundamental para compreender um dos grandes fatores de resiliência da rede.

Sobre o Autor:

Fernando Ulrich – Analista-Chefe da XDEX e mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado “Moeda na era digital”. Também é autor do livro “Bitcoin – a moeda na era digital.

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