Libra – Raízes de bambu e o gigante em formação

Libra – Raízes de bambu e o gigante em formação

Mercado e Tendências
19 de dezembro de 2019 por Courtnay Guimarães
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Aparentemente, depois de todo o frisson de Junho e Julho, após a revoada de críticas e principalmente de porradaria com os governos, o projeto libra entrou em stall, certo? Errado! Antes de mais nada, como nos lembra Taleb, alguns sistemas são preparados para crescer em condições extremamente duras, o que parece ser o caso deste
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Aparentemente, depois de todo o frisson de Junho e Julho, após a revoada de críticas e principalmente de porradaria com os governos, o projeto libra entrou em stall, certo? Errado!

Antes de mais nada, como nos lembra Taleb, alguns sistemas são preparados para crescer em condições extremamente duras, o que parece ser o caso deste projeto. E, adotando um antigo koan japonês, o bambu leva 25 anos criando raízes, para depois florescer como a árvore que mais rapidamente forma uma floresta. Assim parece o projeto Libra.

Code is Evidence:

Ao observar no gráfico abaixo, da pra notar, pelo menos nos repositórios públicos, uma enorme quantidade de mudanças (adições, extrações e algumas modificações interessantes, que falaremos em breve).

Ao analisar a atividade, é compatível com projetos em formação, em especial com o início do projeto EOS (outra blockchain, aberta, construída ao longo de 2018). Portanto, há atividade sim. Um detalhe importante é que essa movimentação é apenas na parte visível do código, há repositórios fechados e que estão sendo trabalhados também.

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Finalmente, o projeto se apoia em outras plataformas e projetos de blockchain (sendo este fato assunto para um outro artigo mais técnico) o que acelera mais ainda o processo.

 

Libra FB 2 - Libra – Raízes de bambu e o gigante em formação

Adaptação nos mínimos detalhes.

Chamou a atenção de todos uma minúscula modificação no White Paper do projeto (análise completa aqui)

De:

“Interest on the reserve assets will be used to cover the costs of the system, ensure low transaction fees, pay dividends to investors who provided capital to jumpstart the ecosystem (read “The Libra Association here), and support further growth and adoption. The rules for allocating interest on the reserve will be set in advance and will be overseen by the Libra Association. Users of Libra do not receive a return from the reserve.”

Para:

“Interest on the reserve assets will be used to cover the costs of the system, ensure low transaction fees, and support further growth and adoption. The rules for allocating interest on the reserve will be set in advance and will be overseen by the Libra Association. Users of Libra do not receive a return from the reserve.”

Além de outro trecho onde “fundraising to jumpstart the ecosystem” também foi retirado.

A minha análise inicial é de resiliência, onde mesmo com a teórica pancadaria e reprovação, a estrutura está se adaptando e fazendo sintonia fina nos detalhes. Curiosamente, até as mais ferrenhas críticas só alavancam o senso de importância do projeto para seus líderes. Quando Threadneedle Street afirma que “Libra could become systemically important for the global financial system overnight”, apenas aponta para o valor do projeto.

Copias em ambientes privados

Ao longo dos últimos 6 meses, muitos projetos similares se iniciaram, mas a maior prova de força para mim veio de Josh Lubin, da Consensys:” “We’ll see many Libra-like projects going forward with different kinds of price-stable currencies offered” . Em resumo, a ideia é tão impactante que será copiada em larga escala.

Como uma derivada menor deste aspecto, a saída do PayPal do consórcio é um capítulo à parte. Nas palavras dele mesmo “It wasn’t an acrimonious divorce or anything like that. It’s just that they will start going down a road that we’re very interested in looking at and monitoring, and maybe later, there are ways we can work together. I wish them the best of luck on it.”. Em português castiço, deixa eles trabalharem, depois vemos se é interessante ou não.

Ventos a favor

Mas como nem tudo são máculas, eu gosto muito de falar dos aspectos ocultos, como por exemplo, o fato de quase ninguém entender direito nem de blockchains, que dirá do que trata esse projeto. Se nada mais der certo, ou se o projeto decolar meio capenga, como falamos por aqui, algumas coisas serão ultra impactantes:

  1. Finalmente um sistema de Identificação Global, formalizado, como eu já havia dito antes. E pra quem duvida, um dos drop outs do consórcio, a Mastercard, está investindo pesado nisso mesmo.
  2. A percepção geral que as Super Apps vieram para ficar. Só que o outro nome delas é “shadow banking system”, um sistema semi-paralelo, de correspondentes. O que não se olha pela teoria das redes, mas na prática, apenas amplifica o network effect que o próprio Facebook já tem, mas desta vez, num consórcio muito mais amplo que suas próprias marcas.
  3. No meio de tudo isso, uma modificação no código, lembrada pelo nosso querido Everton Melo (meu wing man de githubbing analytics), possibilita a criação de sub-tipos e sub-redes, possibilitando que a rede Libra possa funcionar particionada, com funções habilitadas em um pais e em outras não. Este é um passo realmente esperto e crítico para uma rede global, mas “licenciada”, ou regulamentada.
  4. O Facebook Pay, nova feature apresentada agora em Novembro, simplesmente anula todos os outros payment providers e coloca mais um senso de urgência no mercado (Aka, PayPal).
  5. Finalmente, com o processo de desenvolvimento em franco andamento, parece que a comunidade que hoje se beneficia apenas de advertising já enxergou enormes potenciais na monetização deste hub global.

E o mundo atual?

Para entender o mega susto dos reguladores, é preciso entender algumas sutilezas legais do projeto, aqui e aqui.  Em seguida, entender que menos que tecnologia, no modelo de negócio, isso deu um choque imenso de realidade, que nem o Bitcoin conseguiu: O “novo normal” é um sistema de pagamentos Global. E finalmente, que entre amores e horrores, numa virada de perspectiva intrigante, esse projeto polêmico pode vir a salvar o próprio dólar, segundo alguns analistas.

O que levou, afinal, a uma explosão lateral de outro modelo de negócios também intrigante, as moedas criptográficas dos bancos centrais (nacionais, continentais ou até globais). Este é o novo hype do começo de 2.020, mas estória para outro artigo.

Too crazy to fail.

Como essa é oficialmente minha 19 bolha de tecnologias, eu acabei criando um termo inspirado no Think Different da Apple: Too Crazy to Fail.

De todo o esperneio, uma voz, do senador americano Patrick McHenry, que diz: “If history has taught us anything, it’s better to be on the side of American innovation” me lembra a verdadeira guerra: Inovar ou morrer. E nessa guerra, o game é infinito.

Tempos interessantes…

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

Sobre o Autor:

Courtnay Guimarães Jr – Executivo especialista em transformação de negócios e indústrias através da tecnologia. Atua há 35 anos no mercado de tecnologia, estando focado disrrupção nos últimos 10 anos. Atualmente é head de inovação, na BRQ Digital Solutions, além de empreendedor no setor de educação, voluntário como Market Advisor em projetos que acredita, fundador da Cogno.school e pesquisador do impacto da convergência tecnológica na cultura e sociedades. Graduado em Ciências Econômicas, pós graduado em Marketing, com certificates em Financial Markets, High Frequency Trading e doutorando em Ciência da Computação, ênfase em Convergência Tecnológica, sobre TAXONOMIA DE PLATAFORMAS BLOCKCHAIN.

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