Mercado oferece novos fundos com criptomoedas em sua composição

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O mercado de moedas criptográficas ofereceu e ainda oferece grandes oportunidades em termos de desempenho, mas também pode oferecer grandes riscos devido a sua alta volatilidade, ou a indivíduos e empresas mal-intencionados.

Desde o seu surgimento, muitos investidores entraram no mercado, buscando retornos que não podem ser encontrados em qualquer outro mercado. Mas o mercado não só proporcionou sucesso a todos, mas também resultou em prejuízos a uma grande parcela.

Cada vez mais, as pessoas que não conhecem o funcionamento do Blockchain estão se aventurando no mundo a qual procuram altos retornos, mas podem acabar em moedas fraudulentas, organizações criminosas, entre outros.

Somado a essa característica do mercado, falamos de um ambiente muito pouco, ou quase nada regulado, além da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não permitir o investimento de fundos diretamente em moedas digitais.

Entretanto, felizmente o setor de criptomoedas não é constituído somente de indivíduos e organizações com más intenções. Muita gente séria trabalha dia e noite no desenvolvimento de novos conceitos, produtos e serviços.

Atualmente, três gestoras já estruturaram produtos bastante diferentes para quem quer se expor neste mercado, mas não quer comprar diretamente os ativos.

Um benefício de entrar dessa forma é para aqueles que tem pouco conhecimento e que não querem fazer a própria custódia de seus fundos.

Outro ponto importante a destacar é que na composição desses fundos, a maior parte do capital pode estar alocada em títulos do tesourou, ou no CDI. Essa alocação pode chegar a 80% do total, o que reduz muito o risco da volatilidade de preços apresentada pelo bitcoin, por exemplo.

Assim, o investidor tem opções de exposição a criptomoeda, o que torna o produto mais atraente para uma maior gama de investidores, desde os mais conservadores até os mais agressivos em risco.

De acordo com o artigo escrito por Rodrigo Tolotti na Infomoney, os fundos são os seguintes:

A primeira a oferecer uma opção foi a BLP, que hoje conta com dois fundos locais, o BLM Criptoativos FIM (voltado para o varejo) e o BLP Crypto Assets FIM (para investidores profissionais). Ambos, porém, funcionam como “fundos alimentadores” de um outro constituído nas Ilhas Cayman, o Genesis Block Fund.

Segundo o sócio e gestor da BLP, Axel Blikstad, os fundos contam com uma gestão ativa, com os gestores atentos às movimentações do mercado, comprando e vendendo ativos olhando sempre para os diferentes projetos de criptomoedas, analisando suas premissas e finalidades.

Nesta estratégia, a carteira do Genesis Block Fund fica dividida em: 80% investido nas maiores criptomoedas e outros 20% em projetos menores ou ICOs (Oferta Inicial de Moeda, na sigla em inglês). Já para os fundos locais, as teses seguem regras estabelecidas pela CVM no Brasil, sendo que o fundo de varejo tem exposição máxima de 20% a criptomoedas, enquanto o profissional chega a 100%, sendo que o resto é constituído por títulos da dívida pública.

“Foi muito difícil criar este produto, mas quisemos buscar apenas os melhores administradores e auditores para conseguirmos algo sólido”, explica Blikstad ressaltando que a BLP investe apenas com exchanges no exterior, contando ainda com o apoio da maior empresa de custódia de criptos do mundo, a Coinbase.

O investimento mínimo para ter acesso aos fundos é de R$ 1.000, com taxa de administração de 1,5% ao ano para o fundo de varejo e de 2% para o profissional.

Veja os detalhes dos fundos:

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Índice de criptomoedas

Entre os maiores “concorrentes” no mercado brasileiro para os fundos da BLP estão as opções disponibilizadas pela Hashdex, que logo de cara se diferencia por sua estrutura passiva, focada no investimento em um índice de criptomoedas criado pela própria gestora.

Aqui são três fundos locais: Discovery (varejo), Explorer (qualificado) e Voyager (profissional), que seguem a mesma regra, com exposições de 20%, 40% e 100% em criptomoedas.

Porém, esta exposição ao mercado de criptos ocorre por meio do fundo HDAI (Hashdex Digital Assets Index), lançado pela Hashdex e negociado na bolsa americana Nasdaq. Em resumo, o que o cliente faz ao investir é adquirir cotas destes fundos que aplicam em uma cesta de criptomoedas.

Segundo Stefano Sergole, sócio e diretor de distribuição da Hashdex, os ativos deste índice são selecionados respeitando quatro critérios técnicos:

Estar em exchanges que seguem critérios de segurança como ter uma política de KYC (Know Your Customer), uma política de lavagem de dinheiro relevante e ter fundadores e financiamentos claros.

Ter custodiantes de alta credibilidade

Ter volume médio de negociação diário de US$ 4 milhões nos últimos 30 dias

Representar pelo menos 0,25% de todo mercado de criptoativos

Além disso, ele ressalta que estão excluídas da cesta de ativos as chamadas stablecoins, ou seja, aquelas moedas digitais com lastro, como o Tether (pareado com o dólar americano) e a Libra, a polêmica cripto do Facebook. As mudanças na carteira de ativos ocorrem trimestralmente.

“O mercado começa com fundos passivos. Eu não consigo dizer ainda que um gestor é bom para comprar barato e vender caro, mas tenho um desconforto de que isso será uma classe de ativos e eu não tenho alternativa, então a gente aproveitou e surfou bem essa onda [das criptomoedas]”, explica Segole sobre a estrutura passiva do fundo.

Para o gestor, a melhor forma de exposição às criptomoedas hoje é de forma indireta, usando um fundo regulado. “Podemos até pensar em outras formas para o futuro, mas a principal questão agora é se a pessoa quer ou não estar exposta a este mercado”, afirma.

Outro importante diferencial dos fundos da Hashdex está na liquidez, com a gestora se mostrando a melhor opção dentre as disponíveis neste quesito. O prazo de resgate máximo, do fundo Voyager, é de 15 dias, sendo o menor, do Explores, chegando a 7 dias, sendo 5 dias corridos para cotização e 2 dias úteis para o pagamento.

Vale ressaltar que, desde dezembro de 2019, o fundo voltado para investidores qualificados passou a ser oferecido na plataforma da XP Investimentos via assessoria, com investimento mínimo de R$ 10 mil. A ideia, segundo Segole, é conseguir em breve lançar os outros dois fundos na plataforma da corretora.

Veja os detalhes dos fundos:

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Investindo diretamente no exterior

Também criada por brasileiros, a terceira opção surge com um investimento diretamente no exterior, nos fundos da gestora Transfero Swiss. Apesar de não estar disponível nas plataformas de corretoras brasileiras e ser preciso transferir dinheiro diretamente para a Suíça, onde a gestora está localizada, estes fundos tem bons atrativos para os mais aficionados por criptomoedas.

Aqui não existe um fundo-espelho no exterior ou índice. Por conta da falta de reconhecimento do Bitcoin como ativo financeiro no Brasil, a empresa decidiu sediar seu fundo nas Bahamas. Com isso, sua estratégia é de gestão ativa, com a compra e venda direta de moedas virtuais. Além disso, o investidor tem a opção também de investir e cotizar diretamente por Bitcoin, transferindo a cripto para a gestora.

“Temos concorrentes interessantes, mas pouco sofisticados”, afirma Thiago Cesar, cofundador e CEO da Transfero Swiss. A gestora acredita que seus concorrentes, por conta das escolhas de estratégias, possuem um valor agregado mais baixo em termos de geração de retorno para os investidores.

A gestora também oferece três opções de fundos, com estratégias bem diferentes em comparação com seus concorrentes. Todos com investimento mínimo de US$ 10 mil.

O primeiro, chamado de Advanced, utiliza critérios objetivos e quantitativos, utilizando modelos matemáticos e estatísticos para identificar tendências na hora de comprar e vender criptomoedas. Além disso, a gestora usa robôs para realizar as operações.

No segundo, batizado de Counter Cyclical, tem uma estratégia de proteção, sendo um fundo passivo que investe 75% em ouro e 25% em Bitcoin, sendo rebalanceado trimestralmente. Segundo Cesar, este tem sido o fundo mais buscado por investidores nos últimos meses.

Por fim, a Transfero conta ainda com o fundo Conservative, que faz arbitragem física de Bitcoins, ou seja, compra e vende a moeda digital entre diversas exchanges para ganhar na diferença de valor entre elas. Ao mesmo tempo, o fundo pode alocar parte do capital em estratégias quantitativas. O objetivo é o retorno absoluto em dólar e não em real.

Veja os detalhes dos fundos:

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Categorias de risco de fundos internacionais

  1. Fundos menos voláteis: fundos representados principalmente pelo BTC, ETH e USD para torná-los menos voláteis, dependendo das condições do mercado e das criptomoedas mais importantes.
  2. Fundos de risco médio: o objetivo será ter uma porcentagem menor de BTC, ETH e USD, que diminuirá / aumentará dependendo das condições do mercado; as outras moedas criptografadas terão uma parcela mais significativa.
  3. Fundos de alto desempenho: o investimento se concentrará nas novas moedas criptográficas que se apresentar no mercado e isso levará a retornos exponenciais (ICOs, IEOs e novas moedas).

Termos de investimentos relevantes a serem analisados antes de contratar um fundo

  1. Os investidores têm uma marca d’água perpétua? Isso significa que o fundo não pode receber uma taxa de desempenho, a menos que eles tenham ganhado mais dinheiro do que você investiu originalmente.
  2. Quais são as taxas de gerenciamento e desempenho? Vimos taxas de administração que variam de 0 a 3% e taxas de desempenho que variam de 20 a 40%. Normalmente, um fundo com uma baixa taxa de administração, por exemplo, 0%, terá uma taxa de desempenho mais alta, por exemplo, 30%. O padrão em criptografia é 2% / 20%. Isso é um pouco mais alto do que a estrutura de taxas para fundos de hedge não criptográficos, mas os fundos de hedge criptográfico também encontram custos, incluindo taxas de custódia que não são típicas em ações.
  3. Alguns fundos também têm obstáculos; nosso fundo de fundos, por exemplo, tem um “obstáculo suave” de 10%, o que significa que não cobramos nenhuma taxa de desempenho até que o retorno anual de um investidor seja superior a 10%. O obstáculo suave significa que, se o retorno for superior a 10%, a taxa de desempenho será aplicada tanto ao primeiro retorno de 10% quanto ao retorno acima dos 10%.
  4. Quando essas taxas são cobradas? Vimos fundos que avaliam as taxas com frequência mensal, o que pode reduzir sua composição ou com a menor frequência anual. Trimestral ou anualmente é padrão.
  5. Há vários outros termos com os quais você deve se familiarizar, incluindo tamanho mínimo de investimento (que varia de USD$ 25 mil a USD$ 3 milhões fora do país para fundos que requerem investidor qualificado), bloqueio (que varia de um a três anos) e termos de resgate (quando e como pode você recebe seu dinheiro de volta?).

Comparação entre dois fundos internacionais

 

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Vale a pena investir?

Para quem quer se expor ao mercado de criptoativos, mas tem medo ou não tem tempo para acompanhar diariamente os preços, os fundos surgem como uma boa alternativa, já que colocam na mão de alguém mais experiente a gestão de compra e venda dentro deste mercado.

Além disso, os fundos conseguem reduzir a volatilidade e o risco do investimento no mercado de criptos. Se por um lado isso pode ser bom para quem não quer se arriscar tanto, é preciso ter em mente que o retorno também pode ser reduzido se comparado ao próprio Bitcoin.

Em 2019, o fundo de gestão mais ativa da Transfero (Advanced) foi o de melhor desempenho, retornando 190% ao investidor com sua gestão ativa de compra e venda de tokens usando modelos matemáticos. Com isso, foi o único que bateu o próprio Bitcoin, que subiu 92% ano passado.

É importante ressaltar, porém, que o histórico ainda é baixo para todos os casos. Destas alternativas, o fundo mais antigo negociado no Brasil, o BLP Crypto Assets, tem apenas dois anos. No caso da Hashdex, o que está a mais tempo no mercado é o Discovery, com seis meses. Por conta disso, foi o único com desempenho negativo no acumulado do ano.

Porém, os números abaixo mostram que o bom desempenho, tanto do Bitcoin quanto dos fundos de cripto, veio principalmente no primeiro semestre. Com isso, considerando o período de existência do fundo da Hashdex, apenas os fundos mais conservadores da Transfero (Conservative e Counter Cyclical) conseguiram um desempenho positivo.

Veja o desempenho dos fundos clicando aqui!

Mesmo que estejam se tornando tão atrativos quanto o próprio Bitcoin, os fundos devem ser usados como forma de diversificação de carteira, com o investidor mantendo um percentual baixo de seu capital total neste segmento.

Stefano Sergole, da Hashdex, diz que defende para seus clientes de que a exposição ao mercado de criptos deve ficar entre 1% e 5%, um pensamento bastante disseminado entre especialistas em criptomoedas. Ou seja, investir via fundos é uma boa opção de entrada para o investidor, mas nem por isso é um investimento menos arriscado.

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Sobre o Autor:

Paulo Junqueira – É um gestor com mais de 15 anos de experiência em consultoria de gestão estratégica e organizacional. Atua no mercado de criptomoedas desde 2016 e atualmente presta consultoria para startups que pretendem lançar ICO, IEO e/ou STO. Formado em Administração Pública pela FGV em 2002 e mestrado em 2005 pela Universidade de Barcelona.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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