O Bitcoin em uma economia global fragilizada

O Bitcoin em uma economia global fragilizada

Mercado e Tendências
5 de novembro de 2019 por Thiago Nakashima
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O artigo “Operando o Ciclo de Juros” exibe evidências de que o valor do Bitcoin (BTC) não deve se beneficiar das condições monetárias globais mais relaxadas geradas por cortes de juros do Federal Reserve (FED). A inversão da tendência do balanço do FED mostra que as condições financeiras ainda requerem cuidado e cautela. Do ponto
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O artigo “Operando o Ciclo de Juros” exibe evidências de que o valor do Bitcoin (BTC) não deve se beneficiar das condições monetárias globais mais relaxadas geradas por cortes de juros do Federal Reserve (FED). A inversão da tendência do balanço do FED mostra que as condições financeiras ainda requerem cuidado e cautela. Do ponto de vista de política monetária o BTC está totalmente limitado? Um evento em especial impede esse limite, ele se aproxima, ainda não há muita atenção do mercado… e pode beneficiar o BTC.

O banco central americano voltou a aumentar o tamanho de seu balanço, em linha com os anúncios de cortes de juros nesse segundo semestre de 2019. Um processo similar ocorreu em 2008 durante o perído da flexibilização quantitativa (quantitative easing) e por isso os comunicados do FED têm sido claros quanto as suas diferenças. A principal delas é que o aumento do balanço atual é feito com operações similares às nossas operações compromissadas enquanto em 2008 houve compra de “ativos imobilários podres”. Outra diz respeito à função dessas operações: hoje o objetivo é apenas de estabilizar o mercado sem a necessidade de prover liquidez para limpar o mercado de ativos que não valiam nada. Portanto não há uma crise instalada como em 2008, mas a economia deve se recuperar de forma lenta e gradual. E o FED aposta nisso, pois mais agressividade nos cortes de juros e aumento no balanço será entendida como crise iminente.

Safe Haven Safe We Go 1 - O Bitcoin em uma economia global fragilizada

O mercado financeiro é conhecido por buscar quantificar eventos futuros sobre os valores presentes e um evento marcado para dia 03 de novembro de 2020 ainda não entrou no radar: as eleições presidenciais americanas. O último pleito mostrou o poder destrutivo de um resultado inesperado e o mercado sofreu com perdas significativas. A única certeza é a tentativa de reeleição de Donald Trump e não há sinais de alguma força opositora que traga a confiança necessária. E o BTC com isso? Pode soar como vitrola velha, mas a tese de “safe haven” volta a ganhar força. Here we go again…

A volatilidade financeira global tem sido impactada pelas indas e vindas das discussões comerciais entre EUA e China desde a posse de Trump. O ano de 2020 será repleto de debates sobre o tema e pode levar o mercado a duvidar da possibilidade de EUA e China encontrarem um divisor comum. E um ativo que tem se mostrado resiliente pode começar a sofrer: o dólar americano (USD). Pronto, o cenário para um “safe haven” está formado: economia global fragilizada, condições monetárias limitadas e incertezas quanto USD.

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Os ativos utilizados nesses cenários são conhecidos, como o ouro, o franco suíço (CHF) e o iene (YEN). O BTC possui características similares, em especial o fato de não ser lastreado em USD, mas ainda não surfa a onda do “safe haven”. No entanto as autoridades suíças e japonesas não parecem dispostas a se tornarem destinos desse fluxo, mantendo as taxas de juros no território negativo (vide gráfico) e comunicados de que uma moeda valorizada não é atraente. Outro fator é a evolução do próprio mercado de BTC com fluxo financeiro exponencialmente superior que o verificado há apenas três anos.

Taxa de Juros

“Negative interest and the willingness to intervene are important in order to counteract the attractiveness of Swiss franc investments and thus ease pressure on the currency.”             

  (SNB, Decisão de Política Monetária, Set/19)

Assim o BTC volta a figurar nos possíveis ativos a surfarem uma onda de “safe haven”. As incertezas causadas pelas eleições presidenciais nos EUA daqui um ano devem trazer volatilidade para o mercado e a economia não possui defesa para uma deterioração drástica. As moedas concorrentes demonstram vontade de sair desse fluxo. BTC, here we go!

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Sobre o Autor:

Thiago Nakashima – Economista formado pela PUC-SP, nascido em 1980, especializado em análise macroeconômica com grande experiência em fundos de investimentos multimercado e consultorias econômicas especializadas em aspectos regulatórios de defesa da concorrência. Seu enfoque acadêmico voltado para inovações schumpeterianas e economia comportamental é fruto de suas raízes na engenharia (passagem pela POLI/USP) e na produção cultural (produtor de música eletrônica).

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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