O preço do Bitcoin e a tensão no Irã

O preço do Bitcoin e a tensão no Irã

Mercado e Tendências
8 de janeiro de 2020 por Paulo Junqueira
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Bastou a notícia da morte do general iraniano, Soleimani, chegar ao noticiário, o preço do petróleo subiu mais de 2% em menos de 2 horas. No entanto, apesar da importância do petróleo na região, esse não foi o ativo que mais valorizou; ainda mais importante, esse não era o ativo no qual os iranianos estavam
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Bastou a notícia da morte do general iraniano, Soleimani, chegar ao noticiário, o preço do petróleo subiu mais de 2% em menos de 2 horas. No entanto, apesar da importância do petróleo na região, esse não foi o ativo que mais valorizou; ainda mais importante, esse não era o ativo no qual os iranianos estavam focando. O Bitcoin, antes da notícia ser anunciada, era negociado a menos de USD$ 7.000 pela primeira vez em um mês corrente. Mas, dado o foco de todos no país, a tensão política provocou uma alta de 3,7% do ativo em apenas uma hora.

Ira BTC 2 - O preço do Bitcoin e a tensão no Irã

Já se discute com exaustão no mercado se o Bitcoin é, ou não, uma ferramenta para se proteger contra incertezas políticas. Exemplos similares foram observados no volume de transações em exchanges como a LocalBitcoins em regiões em crise recentemente como: Venezuela, Argentina e Hong Kong.

Para aqueles que atestam que o Bitcoin seja uma narrativa adequada de porto seguro, a razão por trás da valorização repentina parece óbvia. No entanto, nem todo mundo acredita na versão dos eventos que levam o público global a comprar Bitcoin, antecipando consideráveis ​​incertezas políticas ou até mesmo uma guerra total.

Para o analista Peter Schiff: “O risco geopolítico aumentado resultou em ouro e Bitcoin subindo mais, mas por razões diferentes. O ouro está sendo comprado pelos investidores como um porto seguro. O Bitcoin está sendo comprado por especuladores, apostando que os investidores o comprarão como um porto seguro.”

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Outro analista internacional frisou: “Cabe a um especulador especular, nada chama mais a atenção do especulador do que o catalisador clássico do mercado de guerra no Oriente Médio.”

Entretanto, a alegação de que o Irã vê o Bitcoin como um “porto seguro” é mais complexa, dado que o país não adota proibições à criptomoeda e a utiliza para escapar das sanções e barreiras internacionais há um tempo.

Em uma matéria de junho de 2019, o New York Times relatou como o Bitcoin poderia ajudar o país a evitar possíveis sanções americanas.

De acordo com o relatório:

“A economia do Irã foi prejudicada por sanções bancárias que impedem efetivamente as empresas estrangeiras de fazer negócios no país. Mas as transações em Bitcoin, mais difíceis de rastrear, podem permitir que os iranianos façam pagamentos internacionais, ignorando as restrições americanas aos bancos.”

O relatório também afirmou que vários investidores estrangeiros europeus e russos estavam planejando mudar suas operações de mineração para países como o Irã e a Geórgia, a fim de obter eficiência de custos. Os cidadãos que atuam como ligações domésticas com as mineradoras são pagos em Bitcoin, dificultando ainda mais a rastreabilidade da operação.

Recentemente, na Cúpula de Kuala Lumpur, Hassan Rouhani, Presidente do Irã, havia pedido aos países muçulmanos que se unissem e emitissem uma criptomoeda para resistir ao dólar. Falando diante dos líderes de quatro outros países de maioria muçulmana, Malásia, Indonésia, Catar e Turquia, Rouhani pediu uma firme oposição contra a hegemonia econômica dos EUA.

Os sentimentos de Rouhani claramente contém as características das moedas digitais emitidas por um banco central (CBDCs). No entanto, para um bloco, e não para países individuais. Muito mais parecida a proposta do BCE (Banco Central Europeu), do que do PCC (Partido Comunista Chinês).

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Sobre o Autor:

Paulo Junqueira – Gestor com mais de 15 anos de experiência em consultoria de gestão estratégica e organizacional. Atua no mercado de criptomoedas desde 2016 e atualmente presta consultoria para startups que pretendem lançar ICO, IEO e/ou STO. Formado em Administração Pública pela FGV em 2002 e mestrado em 2005 pela Universidade de Barcelona.

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