Resumo da Baltic Honeybadger – Primeira Parte

Resumo da Baltic Honeybadger – Primeira Parte

Mercado e Tendências
16 de setembro de 2019 por Fernando Ulrich
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Esta foi a terceira edição da Baltic Honeybadger Conference que acontece em Riga, na Letônia. Realizada por Max Keidun e Roman Snitko da exchange Hodl Hodl, o evento é focado principalmente no bitcoin e em todas as suas derivadas e tem conseguido reunir os principais nomes da indústria desde 2017. Toda a programação oficial pode
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Esta foi a terceira edição da Baltic Honeybadger Conference que acontece em Riga, na Letônia. Realizada por Max Keidun e Roman Snitko da exchange Hodl Hodl, o evento é focado principalmente no bitcoin e em todas as suas derivadas e tem conseguido reunir os principais nomes da indústria desde 2017.

Toda a programação oficial pode ser conferida no site da conferência. Além disso, todas as sessões foram transmitidas ao vivo pelo YouTube e podem ser assistidas aqui e aqui.

Pode-se dizer que as sessões giraram em torno de quatro macro temas: usabilidade, tecnologia, fundamentos econômicos e mercado. Claro que os assuntos acabam se sobrepondo muitas vezes, mas em linhas gerais, esses quatro macro temas abarcam tudo o que foi abordado na Honeybadger 2019.

No post de hoje, falaremos de usabilidade e tecnologia.

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Usabilidade e Tecnologia

Um dos grandes entraves para uma maior adoção do bitcoin é justamente a parte de usabilidade, ou “experiência do usuário”, user-friendly interfaces (interfaces mais amigáveis ao usuário). Isso é natural a qualquer tecnologia nascente, mas, é claro, se empreendedores e inventores não criarem soluções nesse sentido, a adoção não acontece.

Houve vários painéis e palestras sobre carteiras em hardware, carteiras com mais privacidade, segurança física para tais carteiras, processadores de pagamentos para o comércio, e o uso da rede de pagamentos Lightning Network.

O criador do Opendime e do Coldcard Rodolfo Novak tratou dos desafios de engenharia e das principais preocupações ao projetar e construir um dispositivo em hardware. Desde quais chips escolher (os elementos de segurança), até quais algoritmos criptográficos usar.

Em questão de “engenharia de segurança”, o objetivo deve ser “aumentar ao máximo o custo assimétrico ao agressor” em termo de tempo e dinheiro. Na visão de Novak, o ideal é adotar o máximo de alternativas open-source, isto é, em que qualquer um pode verificar — e não confiar cegamente — como a carteira hardware de fato funciona.

Obviamente, quando se fala em carteiras digitais há uma miríade de opções, desde hardware wallets até wallets em software, meros aplicativos num smartphone. Nesta última categoria, Ádám Ficsór da Wasabi Wallet dissertou sobre as visões de privacidade quando do uso do bitcoin.

Embora muitos leigos e a imprensa em geral tratem da questão da privacidade como pretexto para contravenções, o propósito de quem a pratica e desenvolve ferramentas para tanto (como a Wasabi Wallet) é exatamente o oposto, isto é, como possibilitar ao usuário um alto grau de segurança para que ele não seja o alvo de agressores.

Àqueles que desejam um elevado nível de segurança, como family offices, indivíduos com um estoque considerável de bitcoins, enfim, qualquer um que precise custodiar somas significativas do ativo digital, uma solução interessante tem sido a da empresa Casa. Numa apresentação bem instigante, o CEO da empresa, Jeremy Welch, elencou “13 ameaças ao seu bitcoin”. Essencialmente, proteger seus bitcoins significa gerir de forma segura as suas chaves privadas. É exatamente esse o foco da Casa.

Em suma, as preocupações em torno da segurança e gestão de chaves privadas serão uma constante. Felizmente, a indústria tem evoluído, mas, obviamente, ainda há um longo caminho pela frente. Até porque, a questão de segurança de chaves privadas só adquiriu a premência que hoje vemos por conta da própria criação do bitcoin em 2008.

Agora, não basta apenas custodiar com segurança se não pudermos transferir e efetuar pagamentos com mais agilidade (de forma segura, é claro) no mundo on e offline. Justamente nessa área que a OpenNode e a BTCPayServer buscam inovar.

Ambas são soluções de pagamentos para comerciantes, empresas, enfim, qualquer um que deseja receber pagamentos em bitcoin na venda de seus produtos. Num painel bem dinâmico, os programadores Rui Gomes (OpenNode) e Nicolas Dorier (BTCPayServer) debateram os principais obstáculos para pagamentos com bitcoin, desde a interface gráfica ao consumidor até a necessidade de abarcar novos comerciantes à tecnologia.

Aproveitando o ensejo, um dos maiores obstáculos do bitcoin é precisamente a escalabilidade. Como abarcar milhões ou bilhões de usuários numa rede como capacidade de processamento limitada? Aí que entra a tão falada Lightning Network (LN) , a rede relâmpago.

A LN nada mais é que um protocolo secundário que cria uma rede de canais de pagamentos a partir de transações com multiassinaturas no blockchain do bitcoin. Na prática, a LN permite uma quantidade quase ilimitada de transações em bitcoin, porém, sem precisar liquidá-las a todo instante no blockchain.

Por ser tão promissora, mas ainda incipiente em termos de adoção, houve várias sessões para tratar da LN, como o depoimento de Sergej Kotliar da Bitrefill sobre sua experiência de uso da rede relâmpago no comércio, a palestra de Alex Bosworth da Lightning Labs sobre tarifas de transação e maior privacidade com a LN e, por fim, o painel de discussão com Samson Mow, Alex Bosworth, Max Keidun, Alex Petrov, moderado por Stephan Livera.

Para encerrar esta parte de usabilidade e tecnologia, merece destaque a painel sobre “5 anos de escalabilidade do bitcoin” com Adam Back e Giacomo Zucco.

Para quem não é tão versado nas complexidades tecnológicas de um protocolo de consenso distribuído como o bitcoin, o ritmo de adoção e de desenvolvimento da rede podem ser decepcionantes. Mas quando se compreende o ineditismo do bitcoin, as preocupações de segurança e a enorme dificuldade em escalar um rede baseada totalmente no uso voluntário sem autoridade central, é realmente incrível o estágio já alcançado pelo bitcoin.

No início das discussões técnicas de escalabilidade, acabou havendo muita controvérsia em torno de quem deve “ditar”as mudanças, quem deve “controlar” a rede. Essas tensões políticas e de governança levaram inevitavelmente à ruptura da comunidade e na criação do Bitcoin Cash e demais forks.

Em síntese, esta foi a mensagem de Back e Zucco: sim, há muito por fazer e para evoluir; contudo, não nos enganemos quanto aos obstáculos e a necessidade de conservadorismo e prudência na manutenção do protocolo base. Escalar, sim, sempre, mas sem perder de vista as propriedades essenciais da tecnologia. O fato inconteste é que escalabilidade impõe “trade-offs”, é fundamental discernir entre aqueles que são inegociáveis daqueles que são maleáveis.

No próximo post abordaremos os macro temas fundamentos econômicos e o mercado discutidos durante a Honeybadger de 2019.

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