Revoluções e padrão de consumo

Revoluções e padrão de consumo

Tecnologia
30 de dezembro de 2019 por Thiago Nakashima
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A sociedade passou por diversas transformações durante sua história e marcos tecnológicos estão sempre presentes quando uma mudança mais profunda se materializa. Podemos não precisar datas ou acontecimentos, mas a expressão “revolução industrial” soa muito familiar. As pessoas sentem as transformações e adotam novos comportamentos, novos padrões de consumo. Podemos afirmar que estamos no meio
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A sociedade passou por diversas transformações durante sua história e marcos tecnológicos estão sempre presentes quando uma mudança mais profunda se materializa. Podemos não precisar datas ou acontecimentos, mas a expressão “revolução industrial” soa muito familiar. As pessoas sentem as transformações e adotam novos comportamentos, novos padrões de consumo. Podemos afirmar que estamos no meio de uma revolução? A tecnologia de blockchain faz parte desse futuro ou passará como mais um modismo de um mundo em constante transformação? Uma leve introdução histórica com uma pitada de dados estatísticos nos mostrará que estamos é no olho do furacão e que as moedas digitais vieram para ficar.

Durante o Fórum Mundial de Economia de 2016, seu fundador Klaus Schwab cunhou a expressão “Quarta Revolução Industrial”. Dos livros de história lembramos que a Primeira Revolução ocorreu com a introdução da máquina a vapor na Inglaterra em meados do século 18 proporcionando a criação de máquinas; que a eletricidade foi a força da Segunda Revolução entre os séculos 19 e 20 trazendo inovações como automóveis, rádio e televisão; e que o invento do transistor de silício durante o século 20 caracteriza a Terceira Revolução com os computadores e o advento da tecnologia da informação. Para Schwab a Quarta Revolução é o que chamamos de “revolução digital” e que, apesar de similaridades com sua antecessora, possui características muito peculiares: velocidade, escopo e o impacto no sistema. Assim como a máquina a vapor viabilizou a Primeira Revolução, a força da revolução digital já tem nome: blockchain.

E as mudanças no comportamento das pessoas? Senta que lá vem história. Durante a Segunda Revolução Industrial houve uma explosão de ofertas de…  “artigos para mulheres”. O mundo tinha mudado, havia máquinas para construir coisas, mais saúde, mais empregos para os chefes de família, mais renda para a população. E daí os booms: a linha branca e os cosméticos! Agora além de máquinas para construir coisas, tínhamos máquinas para nos ajudar em casa (correto, ajudar a mulher em casa). E com essa ajuda sobrava mais tempo livre para a mulher cuidar de si com… cosméticos. Tudo isso impulsionado pela propaganda em massa proporcionada pela chegada da televisão aos lares americanos. Apesar da antiquada narrativa, esse foi um dos processos de mudança de comportamento com transformações nos padrões de consumo verificados após 1920. E sentimos isso literalmente na pele até hoje.

E o mundo de hoje? Que tipo de mudança pode estar sob os holofotes? Para isso um pouco de dados estatísticos.

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É de se esperar um aumento no consumo das pessoas na medida em que sua riqueza aumente, assim como contração de compras com queda de riqueza, correto? Vejamos o gráfico abaixo, que representa a taxa de poupança pessoal das famílias americanas (linha azul) e a riqueza total das famílias americanas (linha vermelha).

FRED - Revoluções e padrão de consumo

Podemos dividir o gráfico em três períodos: (i) antes de 2007 as linhas caminham conforme esperado ao apresentar uma constante queda na taxa de poupança pessoal (ou seja, aumento no consumo) e uma constante alta na riqueza total; (ii) entre 2007 e meados de 2009 o comportamento também é mantido com uma alta na poupança refletindo uma queda na riqueza; (iii) mas a partir de 2009 tudo parece ter mudado! A riqueza tem aumentado de forma considerável, porém a taxa de poupança também continua em alta.

O que pode explicar essa mudança? No gráfico, as áreas em cinza representam recessões americanas e um olhar minucioso indica uma breve lag no comportamento esperado após as crises. De novo: um breve lag, e já se passaram 10 anos. Isso cheira revolução.

E como as novas tecnologias, como o blockchain, podem pavimentar e acelerar ainda mais essas transformações? A natureza do blockchain tem alto potencial, por exemplo, de combate à corrupção pois as informações contidas nele não podem ser modificadas. Economias emergentes (como os países da América Latina) podem se beneficiar de um sistema menos corrupto e assim elevar as suas condições econômicas e empoderar suas populações. Em um mundo onde os padrões de consumo ainda são ditados pelas economias avançadas, o futuro com a tecnologia de blockchain pode trazer um nível de igualdade e transparência só existente em teorias e assim catapultar novos comportamentos fundamentados na revolução digital.

Estamos mesmo no olho do furacão! A revolução digital levou a antiga expressão globalização para um patamar nunca pensado e quando menos esperarmos o novo mundo estará apresentado, com os blockchains como partes intrínsecas ao enviroment da Quarta Revolução Industrial. Aproveitem!

SCHWAB, K. The Fourth Industrial Revolution. WEF. 2016.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

Sobre o Autor:

Thiago Nakashima – Economista formado pela PUC-SP, nascido em 1980, especializado em análise macroeconômica com grande experiência em fundos de investimentos multimercado e consultorias econômicas especializadas em aspectos regulatórios de defesa da concorrência. Seu enfoque acadêmico voltado para inovações Schumpeterianas e economia comportamental é fruto de suas raízes na engenharia (passagem pela POLI/USP) e na produção cultural (produtor de música eletrônica).

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