Tokenização de ativos de infraestrutura: vantagens e desafios

Tokenização de ativos de infraestrutura: vantagens e desafios

Mercado e Tendências
13 de janeiro de 2020 por Tatiana Revoredo
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A tokenização de ativos de infraestrutura pode resolver alguns dos desafios fundamentais no financiamento desses ativos, como falta de liquidez, altos custos de transação e transparência limitada. No tocante aos custos de transação, estes seriam significativamente reduzidos, eis que a tokenização elimina a maioria dos intermediários financeiros, legais e regulamentares.  Isso sem falar que nossos
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A tokenização de ativos de infraestrutura pode resolver alguns dos desafios fundamentais no financiamento desses ativos, como falta de liquidez, altos custos de transação e transparência limitada.

No tocante aos custos de transação, estes seriam significativamente reduzidos, eis que a tokenização elimina a maioria dos intermediários financeiros, legais e regulamentares.  Isso sem falar que nossos atuais processos de financiamento tradicionais são incapazes de facilitar transações de pequena escala sem fricções, excluindo os investidores de varejo de muitas das classes de ativos.

De outro lado, a tokenização pode aumentar a liquidez.

Intraestrutura é uma classe de ativos sem liquidez.  As transações em ativos alternativos são lentas e envolvem um grande número de intermediários.  As partes envolvidas são obrigadas a realizar um processo demorado de due diligence e passar por um enorme volume de papelada (burocracia).  Nos acordos privados tradicionais, pode levar meses para vender uma posição e custa muito caro para refazer o papel da transação.

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Através da tokenização, a liquidez da classe de ativos pode ser melhorada em grande escala.  

Ela pode permitir a criação de mercados secundários e eliminar a necessidade dos altos prêmios de liquidez atualmente precificados pelos credores e outros investidores. Em outras palavras, se você pode liberar liquidez, você pode entregar um valor enorme.

Outra vantagem da tokenização de ativos de infraestrutura é o acesso a  fontes alternativas de capital.

A tokenização pode aglomerar-se em uma variedade de provedores de capital não tradicionais em infraestrutura, incluindo varejo e outros investidores de menor escala.  Atualmente, a classe de ativos não é acessível a investidores não institucionais devido ao elevado capital mínimo de investimento exigido, aos altos custos de transação e aos rigorosos requisitos de adequação do cliente devido à natureza ilíquida destes investimentos.

A tokenização permite a propriedade fracionária do valor do ativo e automatiza muitos aspectos do processo de integração do cliente.  Isso diminui os custos de transação e torna os volumes de investimento mínimo financeiramente viáveis ​​para os fundos de infraestrutura e outras entidades que emitem tokens.  A tokenização, portanto, melhora o acesso dos investidores aos projetos de infraestrutura, tanto no momento da emissão quanto no mercado secundário.

Outro ponto interessante diz respeito à redução do risco relacionado à contraparte via descentralização.

Melhor explicando, a descentralização é uma das principais propostas de valor para a maioria das soluções baseadas em blockchain.  O benefício dos sistemas descentralizados é que não existe um ponto central de falha.  Em um contexto financeiro, isso significa que há menos “counterparty risk”, pois os sistemas podem operar sem a necessidade de confiar em terceiros.

O risco de contraparte é, sem dúvida, o risco mais proeminente nas transações financeiras.  Isso pode ser percebido pela confiança do setor nas classificações de crédito.  Por meio de tokenização de infraestrutura, ainda há risco de contraparte, já que, no caso de dívidas, por exemplo, o tomador pode ainda inadimplir suas obrigações de dívida.  No entanto, a tokenização elimina o risco de contraparte associado a intermediários financeiros que as partes envolvidas normalmente precisam confiar no caso de transações financeiras tradicionais.

Apesar das vantagens apontadas acima, a tokenização de ativos de infraestrutura só pode realizar todo o seu potencial ​​se os principais desafios forem suficientemente abordados.

Desafios técnicos e regulamentares

Quanto aos desafios normativos, a falta de clareza regulatória para ativos tokenizados está se tornando um grande obstáculo para a implementação mais ampla dessa nova classe de ativos.  Enquanto algumas jurisdições estão se movendo mais rápido que outras, ainda há muita incerteza em torno de questões fundamentais, tais como os security tokens podem estar em conformidade com a legislação financeiras.

Isso representa um problema para toda a cadeia de valor financeiro dos ativos digitais, incluindo emissores, custodiantes, bolsas de valores e investidores.

O desafio é encontrar uma estrutura onde a proposição de valor-chave dos ativos tokenizados não seja significativamente diminuída ou perdida no processo de cumprimento das legislações elaboradas para os instrumentos financeiros tradicionais.

Com relação aos desafios técnicos da Tokenização de ativos de infraestrutura, tem de haver uma maneira confiável de garantir a consistência entre os tokens on-chain e os ativos off-chain subjacentes.

Embora os contratos inteligentes e o software sempre sejam executados de maneira previsível, em nosso mundo off-chain pode haver uma série de eventos inesperados que precisam ser monitorados e refletidos no blockchain.

Atualmente, a maioria dos security tokens é baseada na blockchain Ethereum, que teve algumas conquistas notáveis, mas também algumas falhas.  Ainda há, por exemplo, certa hesitação entre os investidores institucionais sobre sua confiabilidade.

É sempre bom ter em mente que as atuais estruturas Blockchain são resultado de um trabalho ainda em andamento, cujo enorme potencial está em desenvolvimento e ainda não alcançou toda a sua maturidade.

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Sobre o Autor:

Tatiana Revoredo – CSO na The Global Strategy. Autora do livro Blockchain: Tudo o que Você Precisa Saber e coautora do livro Criptomoedas no Cenário Internacional. Especialista em blockchain pelo MIT e pela University of Oxford. Especialista em Cyber Risk Mitigation pela Harvard University.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da XDEX ou de seus controladores.

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