Tudo o que você precisa saber sobre Criptomoedas

Tudo o que você precisa saber sobre Criptomoedas

Criptomoedas
23 de outubro de 2019 por XDEX
153
Por se tratar de uma nova tecnologia com muitas inovações disruptivas, é essencial entender o que é, de onde surgiu, como funciona, e quais são os riscos das criptomoedas. O texto a seguir é uma breve introdução para conhecer esse novo mercado e desmistificar vários dos principais conceitos subjacentes. Visão geral das criptomoedas Mas o
Banner sobre ordem do tipo IOC: executa ou cancela

Por se tratar de uma nova tecnologia com muitas inovações disruptivas, é essencial entender o que é, de onde surgiu, como funciona, e quais são os riscos das criptomoedas.

O texto a seguir é uma breve introdução para conhecer esse novo mercado e desmistificar vários dos principais conceitos subjacentes.

Visão geral das criptomoedas

Mas o que afinal são essas tais criptomoedas? Alguns dizem que são nada mais que moedas virtuais – não existem no mundo real. Outros afirmam que se trata de moedas digitais baseadas em criptografia. Muitos alegam que estamos diante das tulipas 2.0 ou de um simples e evidente esquema de pirâmide. A vasta maioria, contudo, simplesmente desconhece ou não entende quase nada dessa tecnologia.

Bitcoin: o nascimento das criptomoedas

Vídeo 1: O que é bitcoin

É impossível abordar o universo das criptomoedas sem falar da sua gênese: o bitcoin.

Publicidade:

Banner Bitcoin Taxa Zero

No dia 31 de outubro de 2008, no auge da crise financeira, o bitcoin era anunciado ao mundo por um programador desconhecido usando o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Em uma mensagem enviada a uma lista online de discussão de criptografia, Nakamoto lançava ao mundo a sua ideia junto com um paper (artigo) – onde era descrito o funcionamento e os principais conceitos por trás da sua invenção – intitulado “Bitcoin: a peer-to-peer electronic cash system”.

A invenção de Nakamoto criou não apenas uma moeda digital, como também, a primeira moeda digital descentralizada, isto é, um sistema de dinheiro eletrônico em que não há uma autoridade central, não há uma entidade centralizada incumbida da tarefa de emissão monetária e de segurança da rede.

Por mais paradoxal que isso soe, a invenção do bitcoin permitiu recriar em um ambiente digital as propriedades do dinheiro físico, quais sejam: um ativo ao portador (a posse implica propriedade), transações irreversíveis, sem intermediários e sem a necessidade de revelar as identidades de cada parte.  Não há uma empresa por trás da rede, ninguém é dono do protocolo, assim como nenhuma entidade é proprietária dos protocolos de comunicação da internet.

O interesse por bitcoin e assemelhados cresce a cada dia. Há muita gente negociando e obtendo belos retornos nos últimos meses e anos. Notícias de ganhos acima de 100% em menos de um ano têm sido recorrentes. É um mercado em franca ascensão com oportunidades únicas e inéditas no mundo financeiro.

Então quem controla a rede?

Quem se depara com essa moeda digital pela primeira vez, logo se questiona, “Mas quem controla a rede? Quem é o responsável por trás dela? Como posso confiar nesse sistema?” Concedo, logicamente, que esse ponto gere suspeita e inquietação; simplesmente não estamos acostumados a esse tipo de organização.

As criptomoedas invertem o modelo de segurança de sistemas tradicionais – fechado e centralizado –, para um aberto e descentralizado, em que a confiança é atingida pela força computacional. Além de ser uma quebra de paradigma, é necessário também uma mudança cultural.

Não há um servidor central monitorando o cumprimento das normas, pois estas incentivam o comportamento honesto e porque todos são monitorados por todos. A confiança e a segurança são alcançadas de forma descentralizada, graças ao uso engenhoso da criptografia moderna, e sem que seja necessário conhecer a identidade dos participantes.

Altcoins: as demais criptomoedas

Inspiradas pela invenção do bitcoin, surgiram inúmeras outras criptomoedas nos últimos anos. Hoje há literalmente milhares de moedas digitais dos mais diversos tipos. Algumas são cópias quase idênticas ao original, alterando apenas parâmetros triviais; outras são plataformas muito mais complexas e ambiciosas – como é o caso do Ethereum – que prometem bem além do que apenas um dinheiro eletrônico.

E, assim como o precursor bitcoin, grande parte delas é negociada na internet, em plataformas de trading organizadas e especializadas, formando assim um novo mercado em crescente efervescência: o mercado das criptomoedas.

A disrupção do blockchain

Vídeo 2: O que é blockchain

Como se não bastasse a disrupção do dinheiro causada pelo bitcoin e demais criptomoedas, há outra faceta dessa invenção tecnológica levando entusiastas a vislumbrarem um potencial ainda maior, capaz de transformar outras indústrias, a ponto de qualificarem as criptomoedas como uma nova internet, a Internet do Valor.

Não por acaso, empresas como a Nasdaq desenvolvem projetos de negociação e registro de ativos baseados em blockchain; assim como diversos países, como é o caso da Suécia, testam a tecnologia para registrar títulos de propriedade de imóveis e terra.

A revista britânica The Economist definiu como o “Protocolo da Confiança”. E ela tem razão, porque o blockchain, enquanto protocolo, distribui a confiança entre todos os participantes da rede, removendo pontos centrais ou únicos de falha, tornando o sistema incrivelmente robusto e seguro.

Hoje, bitcoin e outras moedas criptográficas já são consideradas apenas uma ramificação – ou um simples uso – de algo muito maior: a tecnologia do blockchain.

O futuro das criptomoedas

Criptomoedas são sistemas de pagamentos globais sem fronteiras, que funcionam em redes descentralizadas que não dependem de nenhum banco central ou instituição financeira. Estamos diante de uma invenção tecnológica verdadeiramente revolucionária. Potencialmente, a mais importante desde a criação da própria internet. E, assim como ocorreu com o surgimento da rede mundial de computadores, a emergência das criptomoedas representa uma oportunidade singular de investimento num mundo cada vez mais carente de ativos de proteção genuínos.

As principais características de uma criptomoeda

Primeiro de tudo, transações utilizando criptomoedas são incrivelmente rápidas, simples, e seguras – transferem-se fundos com a mesma facilidade que se envia uma mensagem.

Basta ter um smartphone e instalar um aplicativo e, em questões de segundos, você se conecta à plataforma financeira internacional com capacidade de transacionar com qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta com qualquer quantia.

As transações são praticamente instantâneas, embora haja um tempo médio para a primeira confirmação da transação, tempo esse que pode variar para cada criptomoeda. Apesar de já não serem mais gratuitas – como foram nos primeiros anos –, as tarifas pagas para efetuar transferências dentro da rede de uma criptomoeda são comparativamente baratas.

Nenhuma entidade, governo, órgão regulador ou empresa pode confiscar a conta dos usuários. Isso significa que ninguém pode ser impedido de usar a rede ou ter seu acesso bloqueado. É um sistema realmente aberto a quem quiser participar.

Também não é inflacionário, o que faz do Bitcoin, enquanto uma moeda, algo absolutamente distinto do que temos hoje em dia com as moedas correntes. Pelas regras definidas na concepção do protocolo, não mais do que 21 milhões de bitcoins podem ser criados durante toda a vida da rede. Porém, cada unidade contém até oito casas decimais, sendo assim perfeitamente divisível – é possível transacionar apenas frações de um bitcoin.

Apesar da extrema transparência – todas as transações são públicas e visualizáveis por todos –, o sistema provê relativa privacidade, já que as contas dos usuários na rede são nada mais que meras sequências alfanuméricas (no jargão da rede, um “endereço público”), fazendo com que seja bastante complicado vincular um endereço a uma identidade.

Por ser uma rede descentralizada, ­peer-to-peer, os usuários podem transferir fundos sem depender de nenhum intermediário ou terceiro de confiança.

Da mesma forma, cada usuário tem o poder de ser o seu próprio banco. Com o bitcoin, é possível custodiar seus saldos sem depender de uma instituição financeira. Essa característica é tanto uma vantagem quanto um desafio, pois requer uma aprendizagem no manuseio e uso com segurança do sistema.

Não faltam relatos de pessoas que perderam vários bitcoins por terem suas senhas extraviadas ou simplesmente esquecidas.

Mas, obviamente, há alguns pormenores, pontos de atenção para qualquer um que decida usar e investir no bitcoin e em criptomoedas em geral.

O primeiro deles é a volatilidade. Por ser um ativo inédito e com uma demanda relativamente pequena – apesar de crescente –, as oscilações diárias de preço podem assustar investidores menos afeitos ao risco, especialmente quando se compara as criptomoedas a ativos tradicionais mais estabelecidos.

Ademais, pagamentos com bitcoin ainda são raros no comércio em geral. Isso quer dizer que ainda não há ampla aceitação por essa moeda digital. Claramente, essa tendência tem mudado ao longo dos anos. Há, por exemplo, cartões pré-pagos que podem ser carregados via bitcoin, ou até serviços de carteira que oferecem cartões de débito, os quais permitem a um usuário gastar seu saldo em praticamente qualquer estabelecimento comercial ao redor do mundo, uma vez que as bandeiras dos cartões são VISA ou Mastercard.

Devido ao conjunto de regras e a força computacional investida, a rede jamais foi violada em mais de nove anos de operação ininterrupta. A segurança do blockchain – o livro contábil digital onde estão registradas todas as transações do sistema – é um atributo marcante e fundamental que propicia a qualquer usuário detentor de bitcoins a plena garantia de que seus saldos não serão desviados ou apropriados indevidamente por ninguém.

Por outro lado, não há absolutamente nenhuma garantia do poder de compra de cada unidade de bitcoin. Ninguém é capaz de assegurar ou regular a cotação da moeda, o seu preço. O que nos traz ao próximo tópico.

A formação do preço

A primeira notícia de um preço fidedigno de uma criptomoeda foi através do bitcoin, evento que ocorreu em maio de 2010 quando um residente de Jacksonville na Flórida pagou 10.000 BTC (sigla usada para “bitcoin”) por duas pizzas. Isso significa frações de centavos de dólar por uma mísera unidade da moeda digital. A preços de hoje (considerando uma cotação de US$ 8.200, dia 21 de outubro de 2019), tal compra equivaleria a US$ 82 milhões, certamente as pizzas mais caras de toda a história.

Porém, à época, não havia mercados organizados. Não havia locais onde a moeda era facilmente negociada. Prever a demanda futura do bitcoin era uma tarefa ingrata e um tanto incerta. Quem recebeu os 10.000 BTC, não tinha nenhuma garantia de que conseguiria vendê-los na semana ou mês seguintes. A liquidez era praticamente inexistente e a incerteza sobre o preço futuro era a norma.

Mas à medida que o interesse – e por consequência a demanda – foi crescendo, surgiram plataformas, ou mercados minimamente organizados, onde compradores e vendedores pudessem negociar a moeda digital por moeda corrente: as chamadas exchanges, corretoras ou bolsas de criptomoedas.

Então quem define o preço do bitcoin? O livre mercado, ou, simplesmente, a velha lei de oferta e demanda.

A cotação do ativo é determinada a cada segundo nas mais diversas exchanges mundo afora. Assim como em diversos outros mercados financeiros, as criptomoedas são ativos globais precificados em dólar.

Uma nova classe de ativos

Dado o seu ineditismo, a própria classificação do bitcoin ou qualquer criptomoeda enquanto um ativo já é um desafio em si. Levando em conta as classes de ativos mais usuais – dinheiro, commodities, ações, renda fixa e imóveis –, consideramos o mais adequado classificá-lo como dinheiro ou commodity.

Sob uma perspectiva meramente legal, moeda é definida pelo estado em cada jurisdição territorial. Assim, o bitcoin não é moeda. Tampouco seria moeda estrangeira, pois não é emitida por nenhum outro estado. Mas no sentido econômico do termo, o bitcoin tem sido empregado como moeda (meio de troca), embora tenha uma liquidez menor que a das moedas nacionais comumente usadas (real, dólar, etc.).

Segundo o Commodity Exchange Act dos Estados Unidos, commodity pode ser basicamente qualquer produto ou artigo. Commodity é simplesmente uma mercadoria. Nessa definição, não haveria problema algum em classificar o bitcoin como uma mercadoria – embora digital, incorpórea. Por sinal, esse é precisamente o entendimento da CFTC: bitcoin é uma commodity.

E, nessa classificação, o bitcoin compartilha muitas das propriedades encontradas em outra commodity, o ouro. Dentre as características comuns aos dois ativos – bitcoin e ouro –, podemos destacar a escassez relativa; ambos apresentam uma oferta limitada derivada das leis da matemática e da natureza.

Mas o bitcoin não é uma commodity da natureza como ouro, prata, minério de ferro, soja, arroz, algodão, milho, etc. Tampouco é uma moeda nacional emitida por alguma jurisdição. Então, que espécie de ativo seria um bitcoin?

O fato é que o bitcoin deve ser enquadrado em uma nova classe de ativos: a das moedas digitais ou criptomoedas. Mas poderíamos também considerá-lo uma commodity digital, o que seria uma subclassificação da classe de ativos commodities

Inegavelmente, as criptomoedas são um novo tipo de ativo, sendo o bitcoin a primeira dessa nova classe de investimentos a ter vasta e crescente aceitação no mercado.

É importante notar que o preço de um bitcoin não deriva de nenhuma moeda nacional ou commodity. Um bitcoin não é lastreado por nenhum ativo; ele é a própria mercadoria, ele é o ativo em si. É um tipo de ativo digital baseado na matemática, que é emitido e transmitido por meio de uma rede descentralizada e regrada por um protocolo criptográfico.

Em sendo o bitcoin o próprio ativo e, ademais, um ativo inédito e sem precedentes, faz sentido enquadrá-lo em uma nova classe: a das criptomoedas, em que os ativos compartilham características tanto das moedas quanto das commodities.

Diversificando seu portfólio

O bitcoin, assim como as demais criptomoedas, está posicionado para ser uma excelente forma de diversificação de portfólio, uma vez que tem registrado baixa correlação com outros investimentos tradicionais. Especialmente se encarado como uma espécie de ativo de proteção – safe haven asset –, um hedge contra incertezas políticas, crises financeiras e intervenções das autoridades monetárias das moedas de reserva como dólar, euro, libra, yen.

A verdade é que testemunhamos dois grandes experimentos monetários desde o estouro da crise financeira de 2008: um sendo planejado pelos principais bancos centrais do planeta, outro sendo desenvolvido e adotado voluntariamente por milhões de pessoas ao redor do mundo.

A crescente desconfiança com o futuro das moedas estatais é acompanhada pela crescente confiança em moedas puramente digitais baseadas em criptografia e controladas por todos conjuntamente.

Estamos diante de um câmbio intergeracional e cultural. Por isso, dentre outras razões, essa tendência dificilmente será revertida. Nossos filhos e netos usarão criptomoedas muito antes de ter qualquer conta bancária tradicional.

Bill Gates e Peter Thiel certamente compartilham dessa visão e dificilmente apostariam contra esse novo paradigma. Receio que neste debate Charlie Munger e Paul Krugman estão equivocados. Redondamente equivocados.

Entendo, obviamente, a dificuldade inerente a conceitos tão abstratos. Ninguém jamais imaginaria que o homem poderia criar um ativo a partir de software, um sistema monetário puramente digital, baseado em nada mais que um protocolo de comunicação entre computadores. Mas a invenção do bitcoin é precisamente isso.

Que essa inflexão na história do dinheiro representa uma oportunidade singular de investimento é uma obviedade cada vez mais cristalina.

Como comprar criptomoedas

Há três formas de adquirir bitcoins e demais criptomoedas: aceitando como pagamento no seu negócio, comprando de alguém ou em uma exchange (como a XDEX) ou minerando. Dessas três, a mais simples e rápida é, logicamente, por meio da XDEX, e é esta a que abordaremos aqui.

Adquirindo seus primeiros bitcoins

Você pode comprar bitcoins de alguém que você conheça e tem confiança, pagando da maneira que melhor lhe convir. Nessa forma direta, a pessoa de quem você está comprando precisará do número da sua conta para transferir o saldo adquirido. Eis o primeiro passo no mundo das criptomoedas: abrir uma conta na rede do bitcoin, ou, para usar o jargão do sistema, uma carteira digital.

Antes de explicarmos como se cria uma carteira, entendamos a outra forma de comprar bitcoins: por meio da XDEX. Para quem já comprou ações de empresas com alguma corretora, o processo é muito semelhante.

O primeiro passo é cadastrar-se na XDEX. Para abrir uma conta, basta preencher os campos de cadastro, enviar uma documentação que pode ser exigida e aguardar a aprovação.

Com a conta aberta, é necessário fazer um depósito em reais para poder ter fundos antes de criar ordens de compra na plataforma e, assim, poder finalmente obter seus primeiros bitcoins. O mínimo para depósito é R$ 10 e o mínimo para negociações na plataforma é R$ 0,01 por ordem enviada.

Apenas para frisar, não é necessário comprar um BTC inteiro. Como cada unidade tem até oito casas decimais, você pode adquirir frações de BTC. Isso também vale para as demais criptomoedas.

Quando você compra na XDEX, você detém seu saldo de BTC na plataforma. A XDEX utiliza tecnologia de ponta e as melhores práticas para garantir a máxima segurança na transação e custódia de suas criptomoedas.

Historicamente, todos os grandes casos de furtos de criptomoedas ocorreram justamente em exchanges. Hoje em dia, entretanto, as soluções de custódia são bastante sofisticadas, o que mitiga substancialmente o risco de furtos de bitcoins devido à invasão por hackers.

Na XDEX, adotamos as tecnologias e práticas mais avançadas para diversificar o armazenamento dos saldos dos clientes em carteiras quentes e frias (hot and cold wallets), com múltiplas assinaturas, minimizando consideravelmente as vulnerabilidades que no passado preocupavam os clientes e as próprias exchanges.

Carteiras de bitcoin

Eis aqui o maior risco do bitcoin e das criptomoedas: não saber usar com segurança, não realizar os devidos backups para recuperação de fundos.

Não faltam notícias sobre pessoas que perderam o equivalente a milhões de dólares em BTC por puro descuido, extravio ou esquecimento de senhas. Esses episódios são realmente verdadeiros e ilustram algo incrivelmente – e lamentavelmente – corriqueiro: as maiores perdas com criptomoedas ocorrem justamente devido ao uso displicente pelos próprios usuários. Não subestime a capacidade de perder criptomoedas devido à negligência com a segurança de armazenamento.

Simplificando, uma carteira digital (digital wallet) armazena as suas “contas” na rede de uma criptomoeda. Na verdade, uma conta no sistema é denominada endereço público, uma simples sequência alfanumérica (ex.: 1EbBaN1o6Jr6kd2WXLUGHVwrGHV1rFQwqx), com a qual pode-se receber fundos de qualquer um.

Muito importante: jamais escreva à mão esse endereço ao passar para outra pessoa. Cada número e letra (maiúsculas e minúsculas!) faz parte do endereço. Qualquer erro e a transação será enviada para outra conta.

Com uma carteira você pode criar quantos novos endereços públicos você quiser. Aliás, a maior parte das soluções de carteiras atualmente tem como padrão não reutilizar endereços públicos, sempre gerando uma nova “conta” para cada nova transação.

Reprisando, o endereço público você pode compartilhar com qualquer pessoa quando precisar receber fundos.

O que uma carteira digital armazena, em realidade, são as senhas associadas a cada um desses endereços públicos. Tais senhas são chamadas de chaves privadas. As senhas (chaves privadas) não podem ser reveladas a ninguém, pois elas dão acesso a todos os seus fundos na carteira. Abaixo explicamos como fazer backups das chaves privadas.

Há diversos tipos de carteiras disponíveis no mercado. Muitas são gratuitas, outras são dispositivos em hardware que devem ser adquiridas com o fabricante.

Em termos de segurança de custódia, não há uma solução única. Especialmente para aqueles que estão dispostos a alocar um capital mais relevante, é importante adotar mais de uma solução, diversificando o risco de custódia.

Há sempre um trade-off entre acessibilidade e segurança. Carteiras mais facilmente acessíveis, como as que funcionam em simples aplicativo de smartphone, são menos seguras que carteiras de papel (paper-wallets). Denomina-se hot wallet as soluções que oferecem uma rápida e fácil acessibilidade – as carteiras mais “online” – e cold wallet as que exigem mais passos para poderem ser acessadas – estão geralmente mantidas em ambiente off-line.

E as demais criptomoedas?

O foco principal deste artigo é o bitcoin por alguns motivos: além de ser a principal criptomoeda, é a que dispõe de uma grande diversidade de carteiras e soluções de armazenamento. Ademais, em termos de liquidez, é também a mais fácil de ser negociada nas exchanges.

Em geral, a sistemática de uso das altcoins como ether (da Ethereum), litecoin, bitcoin cash, dash, etc., funciona similarmente a do bitcoin. Contudo, as demais moedas digitais oferecem menos alternativas de carteiras. Algumas, nada além do software padrão, o que dificulta, para muitos, a custódia por conta própria.

Por esse motivo, muitos preferem terceirizar o armazenamento deixando os saldos nas próprias exchanges.

O enquadramento legal das criptomoedas

Do ponto de vista legal, bitcoins já foram definidos como “unidade de conta” ou “uma forma de dinheiro”, na Alemanha; um meio de pagamento privado, no Japão; como moeda, no Reino Unido, para certos fins fiscais; e como propriedade ou mercadoria pelo Internal Revenue Service dos EUA (similar à Receita Federal). Já em território nacional, na última publicação das estatísticas do Balanço de Pagamentos do Brasil, veiculada à imprensa no dia 26 de agosto, o Bacen inclui a “compra e venda de criptoativos” na conta de exportação e importação de bens. Seguindo a orientação do órgão competente do Fundo Monetário Internacional (FMI), criptoativos são “ativos não-financeiros produzidos, o que implica sua compilação na conta de bens do balanço de pagamentos.” Ademais, a atividade de “mineração de criptomoedas, portanto, passa a ser tratada como um processo produtivo.”

Portanto, o saldo em criptomoedas deve ser declarado no Imposto de Renda (por ora, usando o código “Outros bens e direitos”) e há incidência de imposto sobre ganho de capital na venda do ativo por moeda corrente. É importante que cada investidor consulte seu próprio contador para manter-se sempre atualizado com a legislação vigente.

Mineração, a segurança, o potencial de upside e algumas estratégias de investimento

Vídeo 3: O que é mineração?

Daremos, agora, uma visão geral do funcionamento do bitcoin e dos fundamentos enquanto um ativo para investimento.

Uma das grandes dificuldades em entender o bitcoin e criptomoedas semelhantes é a sua ausência de um ponto central. Não há uma empresa, não há um dono, simplesmente não há nenhum ator individualmente responsável pelo sistema e sua segurança.

As respostas às perguntas “Quem controla? Quem está por trás da rede?” geram perplexidade à primeira vista. E isso é natural. Não estamos acostumados a esse tipo de organização. Sempre buscamos identificar alguém responsável, um incumbente, alguém com poder de decisão. E quando tentamos aplicar esse modelo mental ao bitcoin, a coisa não funciona.

Ao contrário de empresas tradicionais, como instituições financeiras, que mantêm sua contabilidade em dia, com sistemas fechados, onde o acesso é restrito a atores previamente autorizados, no bitcoin a rede é aberta a qualquer usuário, bem como à manutenção da contabilidade e segurança do sistema.

Uma vez que inexiste um responsável único pela validação e comprovação de autenticidade das transações, é delegada a qualquer usuário a tarefa de segurança da rede. O incentivo para prover tal serviço – essencial para o pleno funcionamento do protocolo – é justamente a criação de novos bitcoins, limitados a uma quantidade máxima de 21 milhões de unidades.

Mas, para ganhar a recompensa de novos bitcoins, não basta apenas validar e registrar as transações na rede, é preciso também resolver um problema computacionalmente custoso de ser solucionado. Uma espécie de Sudoku criptográfico: um problema difícil de resolver, porém, uma vez solucionado, de comprovação bastante simples.

No caso do bitcoin, esse problema, chamado de Prova-de-Trabalho (Proof-of-Work), é tão difícil que demora sempre em média dez minutos para ser solucionado. E quanto mais usuários dedicarem força computacional para a validação e registro de transações, mais difícil se torna o problema (o sistema calibra a dificuldade de forma automatizada).

Todo esse processo de validação, registro, resolução da Prova-de-Trabalho e recompensa de bitcoins é chamado de mineração – uma alusão ao processo de extração e refino do ouro. Esse mecanismo é o coração da rede, o que mantém ela pulsando. Mineração equivale à segurança do sistema.

Mas onde exatamente são registradas as transações? Num grande arquivo digital – uma espécie de livro contábil online – o qual é único, público e replicado por todos os usuários mantenedores do sistema. A cada dez minutos, quando um novo bloco de transações é transmitido à rede, cada usuário atualiza a sua cópia do livro contábil digital com o último conjunto de transações validadas. Esse vasto e extenso registro do histórico de transações é chamado de blockchain (corrente de bloco), pois todos os blocos de transações estão intimamente conectados e referenciados uns aos outros por meio do processo de Prova-de-Trabalho.

Logicamente, omitiremos os detalhes mais técnicos de todo esse processo. Por hoje, basta entender que a fonte da segurança do sistema reside em quatro pilares: as regras do protocolo (o conjunto de incentivos), a rede P2P (descentralizada), a criptografia e a força computacional investida na rede. Esses fatores são responsáveis por fazer do blockchain um registro de dados que funciona de forma ininterrupta, há mais de nove anos, sem jamais ter sido violado ou corrompido de nenhuma forma.

Criptomoeda é segura?

Vídeo 4: Quais são os riscos das criptomoedas?

Há três grandes riscos relacionados às criptomoedas: risco de mercado (ou de preço), risco de sistema (ou técnico) e risco de usabilidade. Por vezes, eles estão relacionados e podem ser interdependentes. Mas nem sempre esse é o caso. Entendamos um a um.

1-Risco de mercado: Não há nenhuma garantia de valor de mercado de uma criptomoeda. Não há como predizer quanto uma determinada criptomoeda valerá na semana que vem ou no próximo ano. Não há nenhuma entidade encarregada ou capaz de sustentar a cotação do ativo no mercado internacional. O preço de uma unidade de um ativo digital – ou o poder de compra da moeda – é determinado pelas leis de oferta e procura nos mercados especializados ao redor do globo.

Há centenas de exchanges de criptomoedas no mundo todo que concentram boa parte da liquidez, e, de forma paralela, existem o mercado OTC (over the counter) e o “peer-to-peer”, no qual indivíduos transacionam diretamente entre si.

Na determinação do preço, no caso do bitcoin, parte da equação é sabida de antemão por todos os participantes do sistema, pois a quantidade que pode ser criada foi definida no nascimento do protocolo: 21 milhões de unidades, todas perfeitamente divisíveis. E essa é uma regra pétrea.

Contudo, não podemos prever como se comportará a demanda pela moeda digital. Há uma boa dose de previsibilidade sobre o seu potencial, mas garantia de uma demanda mínima ou estável, simplesmente inexiste.

Nada nos assegura que os detentores da criptomoeda não acordem amanhã com uma opinião diferente, passando a considerar esse ativo uma bobagem que deve ser desovada a qualquer custo, despencando a demanda e fazendo desabar seu preço.

O risco de mercado estará sempre presente. Alguns aspectos podem ser mais mitigados que outros. Mas uma coisa é certa: a cotação será sempre flutuante. Para o bem e para o mal.

2-Risco de sistema: Esta é uma das maiores preocupações – e com razão – dos novos usuários: a segurança do sistema. Se não há nenhuma autoridade responsável, como podemos confiar que não roubarão nossas contas? Como podemos ter certeza de que não haverá fraude? Quem garante o funcionamento da rede?

Todas essas questões são preocupações pertinentes. Anteriormente vimos como funciona o processo de segurança da rede. Porém, para um entendimento pleno – e inevitavelmente mais técnico – é necessário recorrer a leituras especializadas sobre o tema.

Em termos de teoria dos jogos, as regras do bitcoin são uma verdadeira façanha. Satoshi Nakamoto, o inventor do bitcoin, conseguiu fazer os custos serem sempre superiores aos benefícios em ações mal-intencionadas. Dito de outra forma, o que um ator mal-intencionado tem a ganhar é sempre menor que os custos que terá de incorrer para tentar corromper o blockchain. É mais rentável seguir as regras do sistema que tentar burlá-las.

Por isso, o blockchain nunca foi violado, nunca foi hackeado, muito embora ele tenha sido alvo de ataques desde seu início. Jamais foi desviado um mísero satoshi (0,00000001 BTC). Nenhum minerador tampouco teve sucesso em criar mais bitcoins do que o protocolo estabelece a cada momento. Porque, apesar de não existir um ente centralizado incumbido de assegurar a autenticidade das transações, todos os usuários estão a todo instante monitorando o sistema, fazendo com que as regras sejam cumpridas.

O bitcoin não é controlado por ninguém individualmente, mas sim por todos os participantes coletivamente. Esse modelo de segurança é uma absoluta quebra de paradigma em um sistema financeiro.

Isso não quer dizer que o bitcoin seja perfeito e imune a qualquer falha. Longe disso. Como qualquer software, o bitcoin é um sistema vivo e em constante aprimoramento. Bugs foram encontrados e sanados no passado. Alguns mais vitais que outros.

Vulnerabilidades futuras poderão ser descobertas e, dependendo da relevância, podem minar a confiança no sistema como um todo. O fato de ser um software com código-fonte aberto mitiga esse risco, pois há um número considerável de desenvolvedores, especialistas e voluntários testando continuamente o código do bitcoin em busca de falhas e oportunidades de melhoria.

3-Risco de usabilidade: esse é o risco com maior potencial de gerar perdas aos usuários. Praticamente não há remédios contra o mau uso, mas há muitas formas de preveni-lo. Outras criptomoedas oferecem riscos maiores, obviamente. Tanto de mercado, quanto de sistema e usabilidade. É necessário estudar cada uma individualmente para poder aferir tais riscos.

Invista em bitcoins com segurança, facilidade e taxa ZERO: abra uma conta gratuita na XDEX

Conteúdos Relacionados:

O que são criptomoedas?

 

Adicionar um comentário